Mulheres recuam e querem negociar
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quarta-feira, 25 de julho de 2001
Erika Wandembruck e Israel ReinsteinDe Curitiba 
Um um dia depois de serem retiradas do acampamento em frente do Quartel Geral, na área central de Curitba, ameçando uma nova onda de protestos, as mulheres de policiais militares resolveram mudar a estratégia. Após prometerem voltar a fechar os quartéis, as manifestantes recuaram e optaram em montar uma comissão estadual para tentar negociar com o governador Jaime Lerner. Elas querem reajuste salarial e anistia aos maridos punidos na última manifestação. Vamos negociar, mas, se o governador não quiser nos ouvir, a alternativa é adotar medidas radicais, advertiu Isabel Neves.
O governador quer uma comissão, vamos dar, afirmou Isabel. A intenção é formalizar esse grupo no próximo final de semana, quando será feita uma reunião com diversas representantes do Estado. A comissão não significa recuo, apenas uma melhor organização do movimento, disse Isabel.
Nos próximos dias, as líderes do movimento vão para o interior e pretendem realizar corpo-a-corpo com os policiais. A intenção é fortalecer o movimento.
Enquanto elas se mobilizam, o comando da Polícia Militar já começou a conversar com os policiais. O comandante da corporação, coronel Gilberto Foltran, está se reunindo com a tropa para explicar que reajuste o governador Jaime Lerner pode oferecer. A proposta do Estado é dar R$ 100,00 de gratificação para soldados, cabos e sargentos, além de reajuste de 130% para quem trabalha nos presídios.
O coronel Gilberto Foltran repassou, por meio da assessoria de imprensa, que não descarta futuras punições aos policiais que aderiram ao movimento. As líderes do movimento, Roseli Maia, Brendali dos Santos e Rosicler Bonatto, que na terça-feira foram detidas por resistirem e desobedecerem a ordem judicial de desocupação de área pública foram liberadas na madrugada de ontem, após prestarem depoimento ao delegado Carlos Castanheiro.
Elas responderão processo no Juizado Especial Criminal de Curitiba.
Neste caso, a pena aplicada é alternativa. Pode ser o pagamento de cestas básicas ou a prestação de serviços à comunidade, explicou o delegado. Roseli Maia, fez exames de corpo e delito no Instituto Médico Legal de Curitiba (IML). Vou processar os dois policiais que bateram em mim, informou.


