Representantes do Movimento Vez e Voz da Mulher, de Maringá, denunciam a falta de condições do Instituto Médico Legal (IML) para atender as mulheres vítimas de violência e reivindicam a transferência da perícia para a futura maternidade municipal. Além da falta de uma médica e de uma psicóloga para atender principalmente as jovens e adolescentes vítimas de agressão, o movimento afirma que o IML de Maringá não dispõe de banheiro e maca ginecológica adequados.
''A mulher é violentada duas vezes depois de passar pelo IML'', diz a presidente do movimento, Maria Regina Garanhani. Segundo ela, a falta de estrutura do IML compromete o atendimento, contribuindo para que a mulher, que já foi vítima de violência, fique ainda mais constrangida e abalada psicologicamente. Ela diz que o médico legista que presta atendimento no IML faz somente a perícia. ''Não tem ninguém para ouvir a história dessas mulheres que chegam no IML com a auto-estima lá em baixo e totalmente abaladas.''
Ivanete Lopes Ferla, que também faz parte do movimento, acompanhou o atendimento dispensado às mulheres no instituto e diz que ficou indignada com o que viu. Segundo ela, o único banheiro disponível não tem sabonete e nem toalha de papel. Além disso, acrescenta que a maca ginecológica está enferrujada e gatos pertencentes aos funcionários percorrem livremente as salas do instituto, dormindo inclusive sobre as mesas. Segundo Ivanete, é grande o mal cheiro e a falta de higiene.
Ela reforça a solicitação para que o atendimento às vítimas de violência seja feito na maternidade. O movimento acredita que na maternidade os constrangimentos serão evitados. Outra reivindicação é de que as mulheres vítimas de agressão recebam, a exemplo do que ocorre em outras cidades do Estado, o coquetel anti-Aids. O diretor do IML, Aldo Pesarini não foi localizado, ontem, pela Folha para comentar as reclamações leitas pela entidade.

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