Mulheres reclamam de atendimento na Maternidade
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O último Natal para a dona de casa Catarina Soares da Silva, 31 anos, e o lavrador Jairo Jonas Prado, 35, seria de expectativa e alegria pelo nascimento da primeira filha do casal, ocorrido na Maternidade Municipal de Londrina. Mas a felicidade em pouco tempo se transformou em dor e tristeza. Primeiro porque a criança nasceu morta. Depois, porque a mãe passou mal por causa de restos de placenta deixados no útero. Se fosse o único, o caso já seria preocupante mas a situação é ainda mais problemática porque pelo menos outras três mulheres que recentemente realizaram partos no mesmo hospital reclamam de complicações semelhantes. Em um deles, a família está movendo ação contra três médicos.
A sogra de Catarina, Ana da Silva do Prado, contou que a nora passou mal no dia 22 de dezembro, foi atendida na Maternidade e liberada no dia seguinte. Na ocasião, segundo Ana, o hospital teria agendado o parto normal para o dia 26. Mas na manhã do dia 25, Catarina piorou e novamente voltou à Maternidade. Devido à gravidade do quadro, foi transferida para o HU onde, conforme Ana, foi constatada a morte da criança às 11 horas. Com a criança morta em seu ventre, Catarina voltou para a Maternidade onde o parto teria acontecido por vias normais às 18h25. No atestado, a causa da morte foi apontada como anóxia intra-uterina (interrupção do fluxo sanguíneo placentário para o feto).
Ainda segundo Ana, Catarina voltou a ter sangramentos, tonturas e calafrios no dia 22 de janeiro. Levada para o HU, a médica que a atendeu identificou que o problema teria relação com restos de placenta deixados no útero e fez uma curetagem. ''Na Maternidade não me explicaram nada. Fui lá várias vezes mas nunca consegui falar com ninguém'', reclamou Jairo. Sem saber como agir, a família ainda não registrou queixa em nenhum órgão.
A esposa do radialista França Neri, Andréia de Oliveira Pimenta Neri, também passou por situação semelhante. Ele contou que a mulher realizou uma cesariana no dia 4 de janeiro, na Maternidade, e no dia seguinte sentia muitas dores e tinha manchas roxas no abdômen. Ao reclamar para um médico, segundo França, teria ouvido como diagnóstico que se tratava de gases. O radialista disse que quatro dias após o parto e já em casa, Andréia teve febre alta e no dia seguinte precisou ser reinternada na Maternidade, onde um ultra-som identificou a necessidade de nova intervenção.
''Reabriram minha mulher e encontraram sangue coagulado e espalhado por dentro da barriga'', criticou França. Andréia ainda precisou ser transferida para o HU porque a infecção não regredia. ''Estou movendo uma ação contra os três médicos que atenderam minha mulher na Maternidade para apurar se houve negligência. Queria deixar claro que não tenho nada contra a instituição.''
Um outro caso semelhante que envolveu uma adolescente de 14 anos foi reportado pela Folha em 26 de dezembro de 2005. Dias depois de ter realizado um parto na Maternidade, ela foi levada para o HU com cólicas e febre. Uma ultra-sonografia também constatou que haviam restos de placenta em seu útero. Um inquérito foi aberto no 1º Distrito Policial, o Conselho Tutelar foi acionado e denunciou o caso à Promotoria de Defesa da Saúde Pública.
A Folha tomou conhecimento de um quarto caso envolvendo uma moradora da Zona Leste que deu à luz em 19 de dezembro. A jovem de 22 anos teria tido uma grave infecção e extraiu trompas, ovário e útero. A reportagem não conseguiu contato com a família.


