Junte papel usado, fibras vegetais e a vontade de vencer de 15 mulheres de um bairro carente de Londrina. O resultado da mistura? Belos papéis reciclados, produtos como bolsas e agendas, e uma fonte de renda para quem agora já tem até profissão: artesã.
O trabalho nasceu no ano passado, há cerca de seis meses, durante um curso patrocinado pelo projeto Habitar Brasil/BID no Jardim Maracanã (Zona Oeste). Do grupo de geração de trabalho e renda nasceu a Associação de Mulheres Artesãs em Reciclagem (Grupo Amar), formado em sua maioria por mulheres com mais de 40 anos, que estavam desempregadas.
Em um barracão disponibilizado pelo próprio Habitar Brasil, elas recebem papel a ser reciclado da Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina. ''É o nosso 'lixo', restos de papel que passamos para elas'', disse o presidente da Cohab de Londrina, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva.
''Já estamos atrás de escolas da região e outras empresas para conseguir mais papel para o reaproveitamento'', contou uma das artesãs, Cláudia Souza Reis, de 31 anos, que trabalhava como costureira, e estava desempregada há um ano.
O feitio começa com a separação do material papéis brancos de um lado, coloridos de outro. ''Isso dependendo da cor que se quer'', explicou Cláudia. Depois é só bater, colocar em uma bacia com água, misturar as fibras, tirar o papel com uma tela e deixar secar.
Conseguir as fibras de flores, de cana, banana, taboa, casca de cebola e fiapo de côco também é trabalho das mulheres. ''Muita coisa a gente consegue em casa mesmo, como a cebola, mas também tem que ir atrás do garapeiro, para conseguir a fibra de cana, e no rio, para pegar a taboa'', disse Cláudia.
As mulheres trabalham em dois turnos e os salários variam conforme a presença de cada uma. No ano passado, os ganhos foram de R$ 150,00 a R$ 250,00. Além disso, o dinheiro arrecadado com a venda dos papéis é usado para o pagamento da infra-estrutura do local, como luz e telefone. ''Já estamos começando a andar com as próprias pernas'', comemorou Cláudia.
O papel feito por elas, segundo Cláudia, pode ser usado para folders, pastas, bloco de notas e agendas, além de outros objetos. ''No ano passado, a secretaria de Saúde imprimou os folders sobre dengue com o nosso papel. Agora estamos precisando de mais encomendas'', informou.
Magali Pinheiro Ribeiro, de 48 anos, há quatro anos sem trabalhar, participou do curso ''pela curiosidade de saber como se faz papel''. Da curiosidade inicial, inventou de fazer bolsas com papel reciclado e ainda quer inventar mais: ''é um trabalho gostoso, a gente inventa muita coisa, vai imaginando e quer fazer. O que vou tentar fazer agora é um sapato de papel''.
Serviço: Mais informações sobre o Grupo Amar pelos telefones (43) 3357-0560, 3328-4680 e 8405-8406.

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