Mulheres querem mais participação na PM
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de março de 2003
Silvana Leão<BR>Reportagem Local 
''Se força física fosse solução, a segurança pública não estaria o caos que está.'' A frase é da major Rita Aparecida de Oliveira, do Estado Maior da Polícia Militar, para defender a maior participação da mulher nos vários escalões da corporação. A oficial esteve em Londrina ontem para proferir palestra sobre os desafios e conquistas da mulher na esfera policial, como parte da programação da semana alusiva ao Dia Internacional da Mulher, comemorado no último dia 8. A major está na PM há 25 anos e é a única mulher a ostentar a patente no Estado.
Para ela, as policiais já fizeram muitas conquistas desde que a primeira turma de mulheres ingressou na corporação, em 1977. ''Mas ainda há muitos desafios, como ganharmos mais espaço e darmos a nossa contribuição para que a PM possa efetivamente prestar um serviço de qualidade à comunidade.''
Uma das conquistas citadas pela major é a unificação de quadros na Lei de Organização Básica da PM, em 2000, permitindo que as mulheres tenham os mesmos direitos dos homens na corporação. ''Até então, podíamos ir até o posto de capitão.'' Ela lembra, porém, que para ter o benefício foi preciso aceitar uma limitação na lei: a porcentagem do efetivo de cada batalhão que pode ser do sexo feminino é de 6%.
Segundo a major Rita, o argumento é de que a mulher tem menos força física que o homem, o que limitaria o seu trabalho. ''Mas eu digo que as limitações e a competência são inerentes ao homem e à mulher. Há espaço para todos trabalharem juntos.'' A major, que também é vice-coordenadora do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) no Paraná, vai mais longe e diz que as mulheres são menos susceptíveis à corrupção e à violência.
Hoje há 464 mulheres trabalhando na PM do Estado, um contingente que não chega a 2,5% do efetivo total. Na área abrangida pelo 5º Batalhão, de Londrina, são 31 mulheres, sendo uma oficial. Embora o Paraná tenha sido o primeiro Estado a dar oportunidade às mulheres de formação em toda a base da estrutura da PM, a partir de 1977, foi um dos que mais estagnaram em relação aos avanços das mulheres. ''A região sul ainda é a que apresenta maior resistência à atuação das policiais femininas.''


