Em Curicó, no Chile, cidade que teve 70% de suas edificações atingidas por um terremoto em fevereiro de 2010, Mieves Gomez, 51 anos, trabalha cuidando de idosos abandonados. Em Abidjan, capital econômica da Costa do Marfim, Melanie Assemiand, 40, toca um projeto que dá estudo a 80 meninas filhas de famílias pobres enquanto convive com a tensão política - dois homens se declaram presidentes do país africano e a ameaça de uma guerra civil é constante. Na Polônia, com temperaturas de -15ºC, Joanna Pepkolska, 32, ensina religião a crianças de escolas públicas. Culturas e realidades muito distintas, mas essas três mulheres têm algo em comum: pertencem a uma congregação religiosa que nasceu em Londrina.
Elas e representantes de outros países da Europa, Ásia, América do Sul e Oceania estão na cidade participando do 9º Capítulo - como se fosse um grande congresso - das Missionárias Claretianas, congregação fundada há 52 anos por dom Geraldo Fernandes, então bispo de Londrina, e pela madre Leônia Milito. Do Norte do Paraná, as claretianas se espalharam por 16 países além do Brasil. Hoje, são mais de 400 mulheres que se dedicam à causa de ''servir aos pobres mais pobres'', como idealizaram os fundadores da congregação.
Entrevistá-las durante o Capítulo, que vai até 30 de janeiro, é missão complicada. As reuniões são coladas umas às outras, sobra pouco tempo. Mesmo assim, essas mulheres que se esforçam para falar português, língua-mãe da congregação, contam histórias interessantes.
Melanie Assemiand relata que desde 2000 os conflitos são constantes na Costa do Marfim. Entre 2002 e 2004 aconteceu uma sangrenta guerra civil. Desde então a situação é tensa. Nesta semana, a Organização das Nações Unidas (ONU) informou que 25 mil marfinenses se refugiaram na Libéria. ''No fundo, parece que os conflitos servem para distrair o povo enquanto grandes potências econômicas, como a França, continuam a explorar nossos recursos minerais. Na prática, continuamos colônia'', lamenta a religiosa que aos 18 anos conheceu as claretianas e decidiu unir-se a elas.
Até há pouco tempo, as missionárias brasileiras e argentinas que atuam no país evitavam sair às ruas. Todo branco era considerado inimigo pela população local. ''Agora está mais tranquilo. O povo compreende que nem toda pessoa de pele branca está ali para explorá-los. Tenho fé que a Costa do Marfim vai vencer. Teremos paz'', ressalta, com esperança, irmã Melanie, que faz a sua parte ao lado de outras dez claretianas, que estão presentes em três localidades do país africano.

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