Mulheres prometem radicalizar movimento
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sexta-feira, 20 de julho de 2001
Luciana PomboDe Curitiba 
O movimento de mulheres de policiais militares promete para hoje a paralisação total das atividades operacionais e administrativas de todos os batalhões de Curitiba, Londrina, Ponta Grossa, Cascavel, Maringá, Rio Negro e Lapa. Quatro policiais foram detidos ontem por participação no movimento das mulheres em maio, mas foram liberados através de mandado de segurança.
Ontem venceu o prazo dado pelas mulheres para que o governo do Estado apresentasse uma solução para o problema salarial dos praças (de soldado a subtenente). Desde o governo Alvaro Dias, foi cortada a Gratificação PM Especial dos praças. Mas 552 deles conseguiram o direito de receber o benefício na Justiça. As mulheres querem que o Estado equipare todos os salários, concedendo a gratificação para toda a tropa.
Na madrugada de ontem, as mulheres passaram momentos de tensão em frente ao quartel da Polícia Militar em Curitiba. Elas dizem que foram coagidas e agredidas pela P-2 (polícia secreta e descaracterizada). Eles teriam fotografado e feito ameaças veladas para as manifestantes. Um deles, ainda não identificado pelas mulheres, teria apontado um revólver para elas e avisado que o choque seria acionado para tirá-las dali. Eles não nos surpreenderam. Desta vez nós também fizemos fotos deles e vamos revelar. Queremos que o comando tome providências contra eles. Não podemos ser ameaçadas sob qualquer hipótese, afirmou irritada Lúcia Maria Sobral, uma das participantes do protesto.
Ontem, as manifestantes fecharam o Centro de Operações Policiais Militares (Copom) e impediram a troca de turno no final da tarde. O 12º Batalhão da PM também foi fechado. A partir de hoje, elas acreditam que a polícia pare completamente. Sem o Copom, a polícia pára. Não tem como continuar atuando, explicou Lucia. As mulheres aguardam a adesão de outras participantes a partir de hoje, quando o protesto poderá ser considerado como paralisação dos quartéis. Quero ver o que vai acontecer. Temos certeza que o governo como nós não quer ver o Paraná transformado numa Bahia. Queremos negociar, salientou.
O secretário-chefe da Casa Civil do Estado, Alceni Guerra, informou ontem que o governo apresentou um plano emergencial para a categoria com a promessa de pagamento de R$ 100,00 para horas extras e gratificação especial para os policiais do Batalhão de Polícia de Guarda dos Presídios (BPGD). O governo não pode fazer mais nada agora. O assunto está encerrado, afirmou ele, ao lembrar que os protestos feitos em outros Estados terminou com o caos e a volta do trabalho da PM sem o atendimento das reivindicações solicitadas.
Oito policiais militares conseguiram liminares na Justiça contra as punições impostas pela participação no movimento das mulheres em maio deste ano, por abandono de posto e desobediência ao comando. Quatro chegaram a ser detidos ontem no 12º Batalhão em Curitiba, mas foram liberados no final da tarde através de mandado de segurança. O advogado dos oito policiais também entrou com um pedido de habeas-corpus na Justiça Militar. De acordo com o comando do batalhão, outros 19 policiais devem ser punidos com detenção de pelo menos dois dias. Como as salas são pequenas, apenas quatro podem ficar detidos de cada vez. (Colaboraram Andrea Lombardo e Ellen Taborda)


