Mulheres preparam enfeites para festa
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quarta-feira, 16 de junho de 2004
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Uma lenda japonesa de quase 1,2 mil anos conta que um casal de príncipes só conseguia se encontrar uma vez no ano invariavelmente, no dia 7 de julho. A história do amor impossível (a princesa, na verdade, era plebéia) deu origem à festa da Tanabata, comemorada no mesmo dia por comunidades japonesas do mundo todo e celebrada com pedidos de prosperidade feitos aos deuses, e com símbolos artesanais dos mais diversos.
Um desses símbolos é o globo com barbatanas e flores coloridas, a tanabata. É ele que vai marcar a decoração da 44 Exposição Agrícola e Industrial de Londrina Casa Japão que, este ano, está agendada para acontecer de 2 a 11 de julho, no Centro de Exposições e Eventos de Londrina (Ceel), na Zona Sul.
E para manter as tradições japonesas acessas, um grupo de 60 mulheres, voluntárias da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel) e de outros grupos nikkeis da cidade, é o responsável pela confecção dos tanabatas. O grupo se reúne toda quarta-feira na Acel para preparar a decoração da Casa Japão. Na opinião de muitas delas, é a atividade que mantém vivas as tradições seculares, ao mesmo tempo em que garante o destaque do pavilhão cultural e do hall na Casa Japão. Além do artesanato, elas também ensaiaram danças folclóricas que apresentarão no evento.
De acordo com a coordenadora artística e cultural da Casa Japão, Mity Shiroma, este ano o evento será especial não só pela data coincidir com as festividades do Tanabata, como também pelos 70 anos de Londrina, a sercompletados no dia 10 de dezembro. ''Na semana que vem, as mulheres farão um tanabata gigante com a logomarca dos 70 anos'', adiantou. Para o coordenador da Acel, Yasuo Hirama, o trabalho artesanal, mais que enfeite, ''serve para unir as culturas, tão numerosas em Londrina.''
Pensamento semelhante ao de Hirama foi compartilhado pela voluntária Midori Yamazaki, 73. Entre flores confeccionadas por ela em papel crepom, Midori afirmou que, hoje em dia, muitos dos costumes japoneses precisam ser fortalecidos para que não caiam no esquecimento. ''Tenho seis netos e sei que isso acontece. A festa e as tanabatas, de certa forma, fazem um bom resgate das tradições'', avaliou.
Nascida no Japão e vinda para o Brasil com 13 anos, Miko Miura, 79, comentou que encontros como o de ontem ajudam não só a manter o contato entre representantes de uma geração, como permitem uma espécie de recuo na brasilidade de que os atuais nikkeis, disse, estão revestidos. ''Jamais poderia imaginar que ia aprender a dançar depois dos 70 anos'', confessou, referindo-se ao bon odori, dança folclórica feita pelas mulheres budistas, no Japão, para celebrar os antepassados. A Casa Japão é promovida pela Acel com apoio da Aliança Cultural Brasil-Japão do Paraná. A organização espera um público de aproximadamente 100 mil pessoas, que poderá desfrutar de muita música, cultura e gastronomia típica japonesa.


