Se a conquista feminina pudesse ser caracterizada em uma data, provavelmente seria em 1968, quando um protesto feminista ficou marcado pela queima de sutiãs. No ato, as mulheres queriam chamar a atenção contra comportamentos que lhe eram impostos, em busca de autonomia.
Passados 44 anos, as estatísticas mostram que a realidade das mulheres de hoje, frente ao mercado de trabalho, liderança de lares e educação é praticamente igual ou um pouco acima da média representada pelo sexo masculino.
Porém, o destaque não está nos números, e sim no fato de que mesmo com essa projeção as mulheres não deixaram de ser donas de casa. Elas simplesmente enxergaram oportunidades e passaram a correr contra o relógio, arrumando tempo para trabalhar, cuidar de si, providenciar um bom almoço familiar, pagar as contas de casa e ainda dar uma força nas tarefas escolares dos filhos.
Para ilustrar a posição feminina nestes setores, três mulheres relatam suas histórias construídas a cada dia. Elas são protagonizadas por uma engenheira civil, gerente regional de uma construtora; uma pesquisadora na área de soja, que acaba de concluir um doutorado e uma faxineira que assumiu o posto de ''chefe de família'' e trabalha dobrado para sustentar a casa e os três filhos.
Coisas rotineiras
''Faço questão de almoçar em casa e desligar o celular, porque acho importante priorizar o momento em família. Gosto de ir para a cozinha preparar um jantar, de ter tempo para me exercitar, de saber se meu marido e filho comeram ou não e se a casa está em ordem. Coisas rotineiras'', diz Célia Catussi, engenheira civil e gerente regional da Plaenge há dez anos.
Essas coisas simples, que fazem parte da rotina de muita gente, para Célia, é como se fosse um drible, pois durante a entrevista, atendia uma ligação e outra de trabalho, revelando um dia a dia cheio de compromissos profissionais. ''É assim o tempo todo. Não para. Inclusive aos finais de semana''. Não é para menos. Aos 49 anos, Célia é uma das responsáveis na administração de quase todas as operações da construtora.
Mas esse reconhecimento encarado com normalidade nos dias atuais é bem diferente de 20 anos atrás, quando sua área de atuação era preferencialmente ocupada por homens. ''Havia um certo preconceito, principalmente na tomada de decisões. A mulher antes, era vista com desconfiança. Portanto, mais do que demonstrar competência, era preciso em primeiro lugar, conquistar a confiança no ambiente de trabalho'', relata.
No Brasil, a participação das mulheres economicamente ativas segue em crescimento. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) colhidos através do estudo ''Mulher no Mercado de Trabalho'', há dez anos, a proporção de homens com carteira assinada no setor privado era de 62,3%, enquanto a das mulheres era de 37,7%. No ano passado, essas proporções foram de 59,6% e de 40,4%.
''Faço parte de uma geração que foi muito motivada pela própria sociedade. Nós tivemos que conquistar nosso espaço, impostas até por uma condição social. Mas vejo que essa nova geração não tem mais essa preocupação. A mulher hoje, dá conta de tudo. É um processo natural da evolução da humanidade'', observa Célia, que não deixa de ressaltar que só é possível dar conta de tudo, tanto no trabalho quanto em casa, porque tem uma ajuda primordial: o marido. ''Sem a participação dele, não conseguiria fazer tudo que preciso e quero'', declara.

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