Mulheres passam em concurso e fazem serviço pesado
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sábado, 01 de fevereiro de 2003
Sid Sauer<br> Equipe da Folha 
Boa Esperança Quatro mulheres têm chamado a atenção dos moradores de Boa Esperança (56 km a oeste de Campo Mourão). Elas passaram no concurso público da prefeitura para o cargo de serviços gerais e estão tendo que realizar serviços pesados, incluindo a quebra de calçadas com marretas e picaretas.
''É errado fazer isso com uma mulher, sendo que existem serviços mais leves na prefeitura'', protestou o servidor aposentado Serafim Coelho. O vereador Reinaldo José da Costa (sem partido) foi mais longe. Chegou escrever um artigo para imprensa, comparando o serviço dado às quatro mulheres com a época do trabalho escravo.
As novas operárias evitam comentar o assunto em público. Elas temem perder o emprego. Marinês Fátima Rigo da Silva, 36 anos, é a única que dá entrevista, mas não reclama. ''Começamos a trabalhar num dia e no outro já tivemos que quebrar calçadas. Tive que comprar luvas. Quem não comprou, ficou com a mão cheia de calos'', contou.
O marido de Marinês, Vicente Daniel da Silva, se revoltou ao ver a mulher desempenhando serviços tão pesados. ''Se fosse para trabalhar desse jeito, era melhor ter ido me ajudar no serviço de pedreiro'', disse. O salário para o cargo de serviços gerais é de R$ 250,00, o piso da prefeitura.
O prefeito Cláudio Gotardo (PSDB) afirmou que o edital do concurso especificava a função e que as mulheres ainda eram avisadas de que se tratava de um serviço pesado. ''Elas realizaram o concurso sabendo o que teriam que fazer'', ressaltou. Ele informou que não pode colocá-las em serviços mais leves porque isso seria desvio de função.
Anteontem, no entanto, as mulheres trocaram as picaretas e marretas pelo corte de grama e poda de árvores. ''Está melhor do que o serviço anterior'', comemorou Marinês.


