Mulheres oferecem barriga para alugar
Luciana Pombo
De Curitiba
Duas mulheres resolveram se unir e procurar casais que queiram alugar um útero para gestar uma criança. Elas colocaram um anúncio num jornal de circulação no Estado e, em menos de uma semana, já receberam mais de 15 telefonemas. A idéia de fazer um anúncio surgiu após a veiculação da notícia de que uma mulher de Cascavel conseguiu alugar a barriga para tentar fugir da crise. Quando ouvi parece que me deu um estalo. Percebi que tinha que fazer isto mesmo, diz a vendedora Maria, de 25 anos.
Com uma filha de 4 anos e separada há três anos, Maria afirma que ganha apenas R$ 250,00 por mês e não tem como pagar aluguel, creche para a filha e se sustentar. Tenho que morar com minha mãe, mas a gente não se dá bem. O clima está insustentável e quero um lugar meu para cuidar de minha filha, argumenta ela.
A cunhada de Maria, identificada nesta reportagem como Cláudia, de 32 anos, diz que no início teve receio de fazer o anúncio. Mas por causa das dificuldades econômicas resolveu aceitar o desafio. Estou desesperada. O dinheiro do aluguel da minha barriga serviria para que eu pudesse pagar minhas dívidas e comprar um terreno, afirma. Cláudia é casada há dez anos e tem dois filhos um de 4 e outro de 10 anos. Ela e o marido estão desempregados há mais de um ano e fazem trabalhos esporádicos para sobreviver. Meu marido aceitou a idéia. Ele sabe que este é o tipo de coisa que se faz uma só vez para sair da lama, conta ela.
Dos 15 telefonemas recebidos, dois foram os que mais chamaram a atenção. O primeiro, que ainda não foi descartado, é de um rapaz homossexual que sonha em ser pai. Ele queria pagar mais para que eu cedesse o óvulo para a fertilização, mas não aceitei. Só aceitarei fazer o trabalho se ele conseguir uma parceira para ceder o óvulo. Não quero ter qualquer relação sentimental com a criança, declara.
Outro telefonema é de um casal do Rio de Janeiro, que não pode ter filhos e quer fazer a inseminação artificial. Se der certo, já contratamos um advogado e faremos o contrato para evitar transtornos futuros, com os valores determinados e forma em que as parcelas serão pagas, afirmou Cláudia. Para cada gravidez de aluguel, elas cobram R$ 25 mil e despesas hospitalares.
Cláudia e Maria dizem que não temem qualquer apego sentimental com o bebê. Eu sei que não poderei me apegar a esta criança. Além do mais, não será meu filho, garantiu Cláudia. Não me incomodo com esta situação. Se for preciso, nem olharei para a criança na hora do parto, complementa.Elas querem R$ 25 mil para gestar bebês para casais. Colocaram anúncio no jornal e, em apenas uma semana, receberam 15 telefonemas
Kraw PenasSOLUÇÃOMaria e Cláudia resolveram oferecer suas barrigas para alugar pensando em fugir da crise financeira. Maria tem uma filha e reclama do baixo salário que recebe, e Cláudia, mãe de dois filhos, está desempregada há mais de uma ano





