Mulheres ocupam mais vagas
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terça-feira, 25 de agosto de 1998
Mariela de Castro Santos 
Lugar de mulher é na fábrica. Ou, mais precisamente, na linha de produção de uma montadora de automóveis na região metropolitana de Curitiba. Embora ainda minoria - eram apenas três até esta semana, quando outras oito foram contratadas - as mulheres que atuam na linha de montagem da Volkswagen Audi, em São José dos Pinhais, impõem respeito entre os 232 colegas homens já contratados.
Simone Oliveira Melo, 21 anos, trocou o trabalho de envase e embalagem de perfumes em uma fábrica de cosméticos para montar toda a parte elétrica nos veículos. Não entendia nada de carros e, no começo, houve uma certa resistência da minha família, confessa. Um curso no Centro Automotivo do Senai garantiu as noções básicas.
Como ela, Roseli Becker Lovato, 35 anos, nunca tinha entrado em uma indústria automotiva, mas tinha experiência com montagem de freezers. Hoje responde pela pré-montagem das portas dos carros. Contratada em fevereiro, passou 80 dias em treinamento na Alemanha. Agora quero fazer mais cursos e viajar, para me aprimorar, diz.
Este é o interesse também de Fabiane Oshikawa, 21 anos, recém-aprovada no vestibular para o curso de Física da Universidade Federal do Paraná. Ela é responsável pelos testes finais de qualidade do carro, numa função chamada de finishing.
Na última segunda-feira, sete montadoras e uma engenheira mecânica recém-contratadas embarcaram para a Alemanha, onde permanecerão por seis semanas em treinamento nas fábricas de Wolfsburg e Mosel.
A montagem é a terceira fase do processo de produção de um automóvel, depois da armação (executada por robôs) e da pintura. Dos 240 funcionários que atuam na produção, mais de 90% estão na montagem.
Há muito espaço para a mulher na indústria automobilística, afirma o gerente de Montagem Final da fábrica, Luiz Roberto Matos, que prevê que a presença feminina chegue a 20% das vagas.


