Mulheres ganham
R$ 10,00 para ‘fazer
interrogação’
Enquanto vereadores discutiam as irregularidades na administração pública, duas mulheres chamavam a atenção das pessoas do lado de fora do prédio do Legislativo. Carregando banners com apenas um enorme ponto de interrogação, elas ficaram a tarde toda na rampa da entrada principal da Câmara.
Questionavam sobre o que banners significavam, elas respondiam que apenas foram orientadas a segurá-los. ‘‘Eu não sei o que isso quer dizer’’, afirmou Rosa Maria da Silva, moradora na zona sul. Ela contou que foi abordada na rua por um rapaz moreno claro. ‘‘Ele perguntou se eu queria ganhar R$ 10,00 por dia e como estou desempregada, aceitei.’’
Rosa da Silva contou que o combinado era de trabalhar até sexta-feira e que iria receber o dinheiro ontem à noite. ‘‘Ele pegou o endereço de casa e falou que ia me pagar.’’ Ela é viúva e tem quatro filhos.
Eliana Oliveira também pouco sabia dizer sobre o seu trabalho. ‘‘Tenho dois filhos, estou grávida de mais um e tenho que ganhar dinheiro.’’
Esta não é a primeira vez que pessoas ‘‘estranhas’’ comparecem à sessão da Câmara. Em outubro passado, quando foi votada abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), dezenas de moradores da periferia foram à Câmara. Disseram que não sabiam o que estavam fazendo lá, nem quem era responsável pelo transporte. (L.O.)

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