Cerca de 250 mulheres de policiais militares fizeram uma manifestação inédita em Londrina ontem, bloqueando o portão de acesso ao 5º Batalhão da Polícia Militar e impedindo a troca de turno da tropa e a entrada e saída de viaturas. Elas começaram a montar acampamento em frente ao quartel às 6 horas e conseguiram o apoio de cerca de 350 policiais que chegaram por volta das 10 horas e se concentraram em frente ao batalhão, apitando e gritando por melhoria salarial para os maridos.
As mulheres reivindicam a gratificação PM Especial para soldados, cabos, sargentos e tenentes, e prometem ficar acampadas até que o governo atenda a categoria. Segundo a presidente da Associação das Esposas dos Policiais Militares de Londrina, Rosilda Aparecida Carlos, um PM em início de carreira ganha cerca de R$ 600,00 líquidos. Desde 1996, a gratificação de até R$ 526,00 não é paga.
O momento de maior movimentação foi quando policiais retornaram de uma palestra sobre motivação profissional que o comando do batalhão tinha programado para ontem de manhã (leia na página 2). Fardados, à paisana e em carros particulares, eles estacionaram os veículos e foram em direção ao portão, onde as mulheres os esperavam com faixas e cartazes de protestos. Os PMs aderiram ao movimento e promoveram um apitaço. Policiais e esposas cantaram o Hino Nacional e soltaram rojões.
Enquanto as mulheres permaneciam na frente do batalhão, os militares pararam por alguns minutos carros e ônibus que trafegavam na rodovia. Viaturas da Polícia Civil que passaram pelo local ligaram as sirenes e os motoristas buzinaram em sinal de apoio. Algumas motonetas da PM foram levadas para o interior do quartel por mulheres de policiais. Elas também tiraram de circulação um ônibus, uma viatura do plantão de acidentes da Companhia de Trânsito e duas motocicletas que chegaram no batalhão para abastecer. Um caminhão de uma empresa de combustível que esteve no local para repor o estoque foi barrado.
O cordão de isolamento das esposas e filhos de policiais não permitiu a troca de turno prevista para as 7 e 13 horas. A cavalaria, cuja mudança de efetivo aconteceria no Parque Ney Braga, também ficou sem trocar turno. O capitão Sérgio Dalben conseguiu o consentimento das mulheres para entrar pelo portão principal. Segundo Dalben, o major Manoel da Cruz Neto e alguns policiais conseguiram burlar o movimento e entraram pelos fundos do batalhão. A equipe da Central de Operações da Polícia Militar (Copom) estava trabalhando no interior do quartel desde as 23 de anteontem.
‘‘Hoje é um dos dias mais felizes da minha vida’’, confessou um policial. Outro PM disse que o grupo não teme retaliações. ‘‘Não há mais o que retaliar. Não temos nada. Vão tirar mais o quê?’’ Apesar do entusiasmo de alguns, a maioria não confia em resultados favoráveis. ‘‘O governador é insensível e acho difícil ele ceder’’, avaliou.
As mulheres pretendiam se revezar durante a noite nas barracas em frente ao quartel. Segundo a vice-presidente da associação, Elair Beletti, as viaturas foram abastecidas anteontem à noite e devem ficar sem combustível nas próximas horas. ‘‘O comando da PM vai ter que negociar’’, afirmou. As mulheres esticaram varais e estenderam fardas que elas lavaram em frente ao 5º BPM. Algumas doações de alimentos chegaram ao acampamento na hora do almoço. As refeições foram servidas para todos que estavam no local. (Colaborou Célia Guerra)

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