AGENTES COMUNITÁRIAS Mulheres fazem curso sobre aids José SuassunaMulheres fazem curso para se tornar multiplicadoras das informações Luciana Pombo De Curitiba O crescimento dos registros de transmissão da Aids e das demais Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) no Brasil tem preocupado agentes comunitárias e de saúde de Curitiba. Cerca de 240 mulheres, de todas as regiões da cidade, estão participando, desde ontem, do curso ‘‘Mulher e Aids’’, promovido pelo projeto Maria-Maria. Este ano, a novidade foi a inserção do tema ‘‘violência’’ no programa. ‘‘Convivo diariamente com os problemas de violência e agressão física com os moradores do meu bairro. Tenho que saber como orientar as mulheres sobre as formas corretas de se lidar com este problema’’, declarou a dona de casa Rosalina Silva de Souza Siqueira, 33 anos, presidente da Associação de Moradores da Vila Terra Santa, no Tatuquara. De acordo com ela, a região tem cerca de 2,8 mil pessoas. ‘‘Temos todos os tipos de problemas, principalmente a violência entre casais. Por isto, atuamos como psicóloga e conselheira’’, disse. Já a dona de casa Neusa Maria Garcia, 50 anos, diretora da Associação de Moradores do Saturno, no Santo Inácio, acha que a maior dificuldade em seu bairro é a conscientização sobre a prevenção de DST e Aids junto aos adolescentes. ‘‘A gente pensa que sabe tudo, mas ainda tem muito o que aprender. Principalmente em relação ao trato com os jovens’’, declarou. Na Vila das Torres, o Clube de Mães atua principalmente na prevenção. Adolescentes de 12 a 18 anos recebem palestras todas as quintas-feiras e orientação personalizada de duas assistentes sociais e uma psicóloga. ‘‘Temos muitos problemas localizados. Crianças de rua, pessoas carentes, agressões entre casais. A gente discute tudo isto’’, afirmou Maria Aparecida Arruda, 40 anos, representante do Clube de Mães da Vila das Torres. A estudante Josiane Arruda de Oliveira, 16 anos, que também auxilia na instituição, contou as vitórias conquistadas com o Projeto de Redução de Danos. O projeto se dedica especialmente às adolescentes e têm alcançado resultados expressivos no combate à Aids. ‘‘Temos um grave problema de drogas na Vila das Torres. Mas já adquirimos a confiança das adolescentes. Agora elas vão até nós para trocar as seringas usadas e reduzir o risco de contaminação com a Aids’’, afirmou ela. O projeto, que existe há quatro meses, incentiva as meninas a diminuírem o consumo de drogas. Desde que foi iniciado, em 96, o programa Maria-Maria já capacitou 444 mulheres. ‘‘Cada vez mais as mulheres têm procurado saber sobre Aids. Elas estão mais sensíveis, inclusive, para o uso de preservativos femininos’’, afirmou Toni Reis, diretor executivo do Centro Paranaense de Cidadania (Cepac), responsável pela estruturação e aplicação dos cursos.

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