Mulheres estão tomando Viagra
A Sociedade Brasileira de Medicina Sexual está disposta a permitir que os médicos associados receitem o Viagra para mulheres que sofrem de disfunção sexual, em caráter experimental. Atualmente o medicamento só pode ser receitado para homens porque não existe estudo sobre os efeitos da droga nas mulheres. A demanda existe. As mulheres já estão tomando o medicamento. Os maridos compram e elas consomem o Viagra junto com eles, informa o cirurgião vascular especialista em disfunção sexual masculina, Alfredo Romero, de São Paulo. Romero está em Londrina participando do 2º Encontro de Disfunção Erétil do Mercosul.
Ele diz que muitos casais o procuram pedindo receita do medicamento para uso da mulher. Normalmente, diz ele, é o marido que oferece a pílula para a mulher experimentar. Segundo ele, as esposas dos pacientes que o procuram não sabem explicar o que sentiram com a utilização do medicamento. Muitas nunca tiveram um orgasmo e ficam encantadas com a nova sensação. Chegam a afirmar que estão dispostas a assumir os riscos do uso do medicamento, diz.
O médico argumenta que a falta de estudos sobre sexualidade feminina deixa os médicos sem saber como o corpo da mulher reage ao Viagra. O medicamento é um vasodilatador, analisa, e uma das possibilidades é que, com o aumento do fluxo de sangue no órgão feminino, ele fique mais sensível ao ato sexual. Romero explica que a ciência tem avançado muito pouco no estudo da sexualidade feminina.
Nos últimos 50 anos, diz ele, a ciência deu uma virada de 360 graus no estudo da sexualidade masculina encontrando tratamentos e curas para as disfunções sexuais do homem. Entre elas, a prótese peniana, a cirurgia para aumento do pênis e o Viagra . Enquanto isto, continuamos mandando a mulher que apresenta disfunções sexuais para o divã do psicanalista. É um absurdo, diz.
Apesar de defender a proposta da Associação, Romero frisa que o Viagra não cura nenhum tipo de disfunção sexual e é apenas uma muleta no tratamento do problema. Uma das propostas da Sociedade Brasileira de Medicina Sexual é fazer com que os médicos que hoje tratam de disfunção sexual masculina passem a atender também as mulheres. Precisamos incentivar os estudos nesta área, defende.
Permitir que os médicos receitem o Viagra para mulheres, afirma, poderá ser um primeiro passo neste sentido. Como o atendimento é em regime experimental, todos os médicos associados terão de preencher protocolos das pacientes que utilizarem o medicamento. Os resultados e reações serão catalogados somando dados para uma pesquisa sobre o efeito do Viagra no corpo da mulher.
O médico critica a rapidez com que o medicamento foi colocado no mercado mundial. Afirma que as pesquisas foram feitas com 4 mil homens que receberam acompanhamento por apenas cinco anos. Estamos diante algo novo e ninguém sabe, de verdade quais os seus efeitos, nem mesmo quem o descobriu, afirma.
Romero conta que embora as publicações afirmem que o medicamento não tem efeitos teratogênicos - não causa má formação do feto - nada garante a saúde da criança gerada de uma relação onde o homem ou a mulher usam Viagra. Chego a orientar meus pacientes para evitarem uma gravidez enquanto estão usando o medicamento. É melhor previnir, diz.
Apesar de todas as reservas, Romero afirma que o Viagra veio para ficar . Para o médico, o medicamento vai ter o mesmo impacto sobre a sociedade que a pílula anticoncepcional teve quando foi criada. É uma revolução inegável, admite. (C.B.)





