Mulheres estão cometendo mais crimes
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segunda-feira, 17 de maio de 2004
Gilmar Agassi<br>Reportagem Local 
Uma triste realidade vem ganhando espaço nas delegacias e penitenciárias. A cada dia aumenta o número de mulheres envolvidas com a criminalidade, fato confirmado pelas autoridades, mesmo não apresentando números oficiais. Muitas se envolvem por influência dos companheiros ou mesmo dos filhos. Outras culpam a falta de dinheiro. Os crimes mais comuns cometidos pelas mulheres são o tráfico e o roubo. Dentre as condenadas que estão nas penitenciárias estaduais, 64,26% estão presas por causa do tráfico.
Um fato que chama atenção é a diferença entre a realidade dos distritos policiais, que vivem superlotados, e as penitenciárias femininas, que possuem vagas sobrando. O 3º Distrito Policial de Londrina, por exemplo, dias atrás, tinha 61 mulheres presas em um espaço destinado a 38. Já a Penitenciária Feminina de Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, tem lugar para 340 mulheres, porém, no mesmo período em que o 3º DP de Londrina estava lotado, haviam 307 presas, uma sobra de 33 vagas. Essa unidade é para presas que cumprem pena em regime fechado.
Segundo dados repassados pela Secretaria de Estado da Justiça, o Paraná possui duas unidades prisionais para presas condenadas. Aquelas que deixam o regime fechado são encaminhadas para a Penitenciária Feminina em Regime Semi-Aberto, também na região de Curitiba. Nessa unidade existem 40 vagas mas somente 32 detentas.
O coordenador do Departamento Penitenciário (Depen), coronel Justino Sampaio, disse que, dentro do possível, toda a demanda de mulheres já condenadas é atendida nas duas unidades. Ele explicou que o número de presas no regime semi-aberto não é maior por causa dos crimes cometidos por elas. ''Para crimes hediondos, como latrocínio, não existe progressão da pena'', frisou.
O perfil das mulheres presas nas duas penitenciárias deixa evidente que a falta de escolaridade contribui para a entrada no mundo do crime. Dentre elas, 12,62% são analfabetas e a grande maioria não completou nem o ensino fundamental. Outros dados que chamam atenção é que 51,49% possuem entre 18 e 30 anos e 70% são originárias do interior do Estado.
O coronel afirmou, que dentro do sistema penitenciário, as presas têm a oportunidade de estudar. Dependendo da sentença a cumprir, algumas conseguem concluir o ensino médio. Além disso, elas podem trabalhar e reduzir a pena. Para Justino, esses são alguns fatores que contribuem para a ressocialização das detentas. ''A média de reincidência criminal do Paraná, no geral (homens e mulheres), é de 29%. A média nacional é de 73%'', ressaltou.
O juiz-corregedor da Vara de Execuções Penais (VEP) de Londrina, Roberto do Valle, observou que a falta de trabalho dentro dos distritos é a principal reclamação das presas. Sobre as causas do aumento da participação das mulheres, principalmente no tráfico, ele comentou que o desemprego e a dependência são alguns dos fatores. ''Tem ainda aquelas cujo parceiro é o traficante'', acrecentou.
Sobre a superlotação do 3º DP, Valle frisou que a situação não é tão grave, pois ''sempre conseguimos transferências''. Valle entende que elas são mais organizadas e capazes de resolver sozinhas seus problemas. Ele recordou que nos sete anos que está à frente da VEP, somente uma vez ocorreu uma fuga envolvendo mulheres. ''No geral, é mais fácil manter mulheres presas'', pontuou.


