Mulheres e sensíveis, mas não frágeis
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quinta-feira, 24 de abril de 2008
Cláudia Palaci<br>Equipe da Folha 
A farda é oficial, com estrelas reluzentes conquistadas em 33 anos de carreira na Polícia Militar e que indicam a patente de tenente-coronel. O diferencial está no colar delicado no pescoço e o batom rosa claro nos lábios, além de anéis e pulseiras. Rita Aparecida de Oliveira é a oficial mais antiga da PM do Paraná com esta patente e participou da primeira inclusão de mulheres, em 1977, sagrando-se sargento em primeiro lugar entre as 27 que concluíram o curso. De lá para cá, a instituição criou uma maior integração com o universo feminino - que representa hoje 6% do efetivo (cerca de mil policiais).
Elas sabem que o caminho para acabar com uma discriminação masculina velada é árduo, assim como o treinamento que recebem, igual ao dos homens. Uma lei estadual sancionada em 2005 obriga que até metade das vagas abertas para a PM seja preenchida por mulheres. No último concurso público, realizado naquele ano, aproximadamente 40% dos candidatos inscritos eram mulheres. O dobro, se comparado ao concurso de 2001.
Para a tenente-coronel Aparecida, esta medida retirou a classe feminina da estagnação. ''Dobramos o efetivo e apesar deste limitador, uma vez aqui dentro, chega-se a qualquer cargo com competência e determinação'', comenta. A PM do Paraná foi a segunda corporação a abrir vagas femininas há mais de três décadas, seguindo o exemplo de São Paulo em 1955. Durante este período muitas foram as batalhas e o ''bandido'' da história, a famosa discriminação. ''Homem tem medo do poder feminino, mas as novas gerações já entram para a PM com um olhar diferente e o eterno cabo de guerra entre nós e eles em muitos casos já foi abolido'', salienta a tenente-coronel Aparecida, sem deixar de lembrar que isso apenas reflete a realidade brasileira, que trabalha o assunto de forma velada.
''A rua é um grande termômetro da nossa aceitação'' revela uma soldado de 24 anos, que pediu para não ser identificada. Ex-corretora de seguros, ela está há dois anos na Polícia Militar e poderia ser confundida com uma modelo, se não fosse o revólver na cintura. Aprendeu a enxergar a corporação de um modo diferente e também a lidar com a falta de costume das pessoas em ver mulheres ''armadas e perigosas'', brinca, em tom de compreensão.
''Eu quero fazer a diferença e atender a população do mesmo modo como eu gostaria de ser atendida. Nossa função é proteger e orientar, e se precisar ser mais dura ou até mesmo trocar tiros, estou preparada física e psicologicamente como qualquer outro'', afirma. Fã de filmes de ação, a soldado que deseja chegar à patente de coronel (a maior graduação), diverte-se com as cenas impactantes. Por gostar do serviço mais radical, hoje trabalha em conjunto com a Polícia Civil na divisão de narcóticos em missão de alto risco e sem farda. Coisa de cinema.


