Ao longo de três anos de atividades, o Projeto Vitória, ex-Projeto Pedaço de Pano, ensinou a um pequeno grupo de mulheres do jardim União da Vitória (zona sul de Londrina) como muito pode ser pouco. Elas aprenderam a confeccionar roupas e bolsas a partir de resíduos industriais (retalhos de tecido e couro, metais) e materiais doados por colaboradores. Em muitos momentos, tiveram que lidar com o desânimo e a falta de estrutura e dinheiro.
Acabaram recompensadas: o projeto foi um dos dez ganhadores do 8º Prêmio Banco Real/Universidade Solidária, entre 66 trabalhos inscritos, o único do Paraná a ser agraciado este ano. A premiação destina uma verba de R$ 20 mil para cada uma das iniciativas ganhadoras, que deverá ser aplicada em atividades num prazo de seis meses, com cronograma monitorado pela Universidade Solidária. Este ano, os trabalhados premiados deveriam se ater ao tema Desenvolvimento Sustentável, com ênfase em geração de renda.
''Vamos comprar maquinário próprio e tornar o projeto auto-sustentável, num modelo de cooperativa ou microempresa'', explica o professor Nélio Pinheiro, do Departamento de Artes da Universidade Estadual de Londrina (UEL), coordenador do projeto desde o ano passado. O trabalho teve início há três anos dentro de uma oficina do Festival Internacional de Londrina (Filo) direcionada à comunidade carente do União da Vitória. Desde então, o projeto sofreu várias modificações, e atualmente utiliza a estrutura do curso de estilismo em moda da UEL.
Hoje, o grupo se alterna entre 12 e 18 mulheres, que recebem orientação uma vez por semana e confeccionam as peças em casa. As participantes agora procuram um imóvel nas proximidades do União da Vitória para construir uma oficina própria. ''Nossa idéia é devolver esse projeto para a comunidade e também instruir as participantes para que tenham uma visão mais comercial, empresarial'', diz Pinheiro.
A dona de casa Maria Aristides das Neves, 53 anos, está no projeto desde o início. Ela só estudou até a 1 série do ensino fundamental passou boa parte da vida ajudando na plantação da família, numa fazenda nas proximidades do distrito de Lerroville (zona sul). ''Aprendi costura com minha mãe. Depois de sair da roça, trabalhei numa fábrica e como servente. Também fiz bicos. O dinheiro que conseguimos vendendo as peças não é muito, mas vamos criar um bom negócio, se Deus quiser'', diz ela.
Com o dinheiro, dona Maria quer ajudar dois de seus quatro filhos, que estão com planos de casamento. ''Meu marido recebe aposentadoria de um salário mínimo e meus quatro filhos trabalham. Se eu conseguir um dinheirinho a mais, já ajudo todo mundo'', conta a dona de casa.
A diarista Elza Barbosa de Lima Gomes, 39 anos, há dois no projeto, afirma que a possibilidade de ser sócia numa cooperativa lhe dá perspectiva de uma vida melhor. ''Meu marido está desempregado há cinco anos e faz bicos. Minhas três filhas não têm idade para trabalhar. Se a idéia der certo, vai ser maravilhoso'', relata.

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