Mulheres disputam casa em bairro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de junho de 1998
Lucilia Okamura 
Uma casa no assentamento nos fundos do Conjunto Aquiles Stenghel (zona norte de Londrina) se transformou em objeto de disputa entre duas mulheres. A doméstica Maria Aparecida Afonso diz ter sido expulsa da casa pelo marido, Edilson Afonso. Ele, por sua vez, teria negociado o imóvel com a família da dona-de-casa Nilva Paula, que atualmente ocupa a residência.
Segundo a doméstica, há cerca de 30 dias, o marido bebeu e expulsou-a de casa. Ele ameaçou até matar os dois filhos, afirma. Tive que me abrigar na casa de minha mãe.. Os filhos têm 3 e 5 anos. A mãe da doméstica também mora no assentamento, conhecido como Jardim dos Campos 1.
Maria Afonso relata que há duas semanas ficou sabendo que a casa estava ocupada. Vim aqui pegar minhas coisas, que estavam se estragando porque ela (Nilva Paula) tinha colocado tudo para fora, afirma.
Na semana passada, parte dos móveis (fogão, máquina de lavar e um sofá, entre outros) estava na rua, em frente à casa. A doméstica tentou entrar na casa, mas foi barrada por Nilva Paula.
A doméstica afirma que estava morando na casa com o marido e os filhos há cerca de dois anos, quando aconteceu a invasão. Fiquei debaixo de lona um tempão. Antes, quando não tinha água e luz, ninguém queria morar aqui. Só agora ela vem dizer que a casa é dela, reclama. O local está sendo regularizado pela Companhia de Habitação (Cohab).
Nilva Paula afirma que o terreno pertence ao pai, Nelson Maria de Paula. Ele teria feito um acordo com a família de Maria Afonso e, inclusive, dado material de construção para erguer a casa. Isso faz dois anos e nada deles pagarem o que devem, ressalta. Nilva afirma ainda que o casal pretendia colocar a casa à venda por R$ 3.500,00.
A dona-de-casa nega que tenha ocupado o imóvel sem autorização. Segundo ela, o marido da doméstica fez um acordo com o pai dela e concordou em sair da casa. Ela não deu detalhes do negócio. Eu não saio daqui porque a casa é minha, garante.
A doméstica nega que iria colocar a casa à venda. Ela confirma que o material de construção foi pago por Nelson de Paula, mas questiona o valor que está sendo cobrado. Ele quer cobrar muito mais do que a gente deve, resume. O marido da doméstica, que teria provocado toda a confusão, foi embora para Rolândia (25 quilômetros a oeste de Londrina).
Uma equipe da Cohab foi até o assentamento para verificar o caso. O diretor social da companhia, Humberto Lima, convocou Nilva Paula e Maria Afonso para comparecer na Cohab e discutir o assunto. Felizmente na reunião, na semana passada, elas entraram em acordo, disse.
Nilva Paula concordou em deixar a casa e vai fazer parte de um programa de assentamento da Cohab. Maria Afonso, que teve o apoio da comunidade e comprovou a documentação do imóvel, retornou à casa.


