Sem viaturas suficientes, com apenas uma farda por pessoa há dois anos e sem reposição salarial há 10. Esta é a situação do corpo da Polícia Militar de Londrina, segundo a presidente do Movimento das Esposas de PMs (Mepom), Vera Rubbo. De acordo com a dirigente, a entidade tenta levar os problemas à secretaria estadual de Segurança Pública sem sucesso, o que estaria obrigando as esposas dos PMs a considerar a possibilidade de um novo protesto semelhante ao de 2001. Naquele ano, elas impediram que os maridos trabalhassem, reivindicando a concessão de abonos para os policiais.
A confecção das fardas, segundo Vera, é de responsabilidade da Associação da Vila Militar (AVM), com sede em Curitiba. A entidade, no entanto, não estaria promovendo a reposição há dois anos. ''A AVM até desconta um valor médio mensal de R$ 30,00 para este custeio. Mas se os PMs não estão recebendo fardas novas, para onde este dinheiro vai?'', perguntou. ''Não há prejuízo para os policiais, porque o Estado concede um abono para compra de fardas que é idêntico ao desconto promovido pela AVM. Mas se não há fardas, há desperdício de dinheiro público'', afirmou.
Além do problema com as fardas, Vera cita o sucateamento da frota do 5º Batalhão como um exemplo de descaso do Estado com a segurança da cidade. O comando da PM não divulga números por questões estratégicas, mas Vera afirmou à reportagem da Folha que até uma viatura sem identificação da PM está sendo utilizada em patrulhas, devido à falta de carros.
''A maioria absoluta dos veículos aguarda por manutenção, mas a burocracia da secretaria não permite que isto seja feito com agilidade'', disse. Em conversas informais com pessoas ligadas ao 5º Batalhão, fala-se em até 80% da frota parada para manutenção. A cidade estaria sendo patrulhada por apenas 20 viaturas.
A possibilidade de novos protestos, como os promovidos há três anos, não são descartadas por Vera. ''Na ocasião, impedimos nossos maridos de trabalhar para exigir reposição salarial e um abono foi concedido. Mas reajuste de fato não é repassado há 10 anos, o que nos obriga a pensar em uma nova manifestação'', afirmou. Segundo Vera, a defasagem nos salários chega a 100%.
Segundo o comandante do 5º BPM, tenente-coronel Manoel da Cruz Neto, parte dos problemas já tem solução encaminhada pela secretaria de Segurança Pública. ''A demora para entrega do fardamento deve-se a problemas com a licitação para fornecimento do material. Mas a secretaria já autorizou a confecção das fardas, que devem ser repostas em três ou quatro semanas'', afirmou.
Quanto à manutenção dos veículos, o comandante garantiu que o secretário Luiz Fernando Delazari já liberou verbas para o conserto. ''As viaturas rodam 200 quilômetros por dia e é normal que quebrem. Elas serão entregues imediatamente após o término da manutenção'', reforçou.
A assessoria da secretaria de Segurança Pública informou ontem, no final da tarde, que irá se pronunciar sobre as reclamações quando tiver um levantamento do que está sendo realizado.

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