Mulheres dekasseguis são alvo do golpe do bilhete premiado
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de setembro de 1998
Mônica Kaseker 
Mulheres nipo-brasileiras estão sendo os alvos preferidos do golpe do bilhete premiado. Segundo a Associação de Apoio aos dekasseguis, 30% dos casos registrados na cidade tiveram como vítimas mulheres de origem japonesa, que têm seus maridos trabalhando no Japão. Uma delas perdeu R$ 37 mil reais, dinheiro que a família havia economizado durante toda a vida de trabalho como dekassegui.
O presidente da Associação de Apoio aos Dekasseguis, Rui Hara, está alertando a comunidade nipo-brasileira sobre o risco do golpe em que uma pessoa chega oferecendo um bilhete premiado, dizendo necessitar de dinheiro urgentemente e por isso aceita apenas parte do prêmio.
A delegacia de Estelionatos e Desvio de cargas de Curitiba registrou, desde maio, 10 casos de golpe do bilhete premiado, variando de R$ 4 mil a R$ 40 mil. Mas, segundo o delegado Hamilton da Paz, muitas vítimas não registram queixa por terem vergonha de ser taxadas de bobas. Algumas contam até outras histórias, dizendo que foram roubadas ou até hipnotizadas e envenenadas. Geralmente as vítimas só denunciam depois de serem pressionadas pela família e isso demora, às vezes, até mais de 20 dias. A essa altura já não é possível nem mesmo fazer o retrato falado do golpista.
O diretor do departamento de saúde da Associação de Apoio aos Dekasseguis, Honório Komori, explica que algumas pessoas não conseguem dominar seus impulsos e, mesmo sendo remota a possibilidade de ganhar dinheiro fácil, elas não conseguem resistir à tentação. O poder de sedução do dinheiro é grande e muitos não tem controle sobre este desejo, que é instintivo e inconsciente, explica. Além da falta de estrutura, até pela situação que vivem, as esposas dos dekasseguis também confiam muito nas pessoas.
Para evitar o golpe, alguns bancos estão orientando seus gerentes a ficarem atentos. Quando uma pessoa de idade aparece acompanhada de uma pessoa aparentemente estranha para fazer uma retirada grande, a liberação do dinheiro só acontece depois de uma conversa detalhada com o gerente. Só numa agência do Banco do Brasil foram feitas duas prisões em flagrante.


