Dimitri do Valle
De Curitiba
Depois de rodar o mundo, a Marcha Mundial de Mulheres foi lançada ontem à tarde em Curitiba. Temas como violência doméstica, saúde e o fim da discriminação no trabalho foram abordados em panfletagem promovida na Boca Maldita. A organização da marcha quer, através de debates e campanhas de rua, engajar mais mulheres na luta pela consolidação de direitos básicos do cidadão.
‘‘É preciso que as mulheres mostrem à comunidade o que elas precisam’’, disse Sueli Coutinho, representante do Conselho Regional do Serviço Social (Cress), uma das entidades que patrocina a marcha. A programação se estenderá até outubro para não deixar de fora o debate da participação feminina nas eleições municipais. ‘‘Mesmo dentro de partidos progressistas o preconceito contra as candidaturas das mulheres existe’’, observou Sueli.
No setor profissional, a mulher enfrenta outra discriminação explícita: o valor de seu salário é em média 33% mais baixo do que os vencimentos dos colegas homens. Além de Curitiba, a marcha será divulgada nas cidades de Londrina e Maringá. O lançamento na Capital deveria ser realizado em 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Foi adiado para ontem em virtude do carnaval. Os pedestres que circulavam pelo calçadão da Boca também puderam refletir sobre a realidade da violência contra a mulher na Região Metropolitana de Curitiba. Vários recortes de jornal que exibiam reportagens de assassinatos de mulheres foram expostas num varal improvisado.
A Marcha Mundial de Mulheres nasceu na província de Quebec, no Canadá, em 1995. Quando se trata dos direitos das mulheres, Sueli comparou que nem em democracias avançadas, como o próprio Canadá, a desigualdade entre os sexos ainda é um tabu a ser quebrado. ‘‘Temos os mesmos problemas nos países do primeiro mundo. E a marcha é uma forma de cobrar dos governantes uma resposta para os direitos das mulheres’’.

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