Mulheres de PMs são contra exclusão de alcóolatras
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terça-feira, 27 de setembro de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Duas integrantes do movimento de mulheres de policiais militares em Curitiba estiveram ontem na reunião semanal do secretariado para pedir o fim da pena de exclusão para os servidores alcóolatras. De acordo com Isabel Neves, que hoje atua na Ouvidoria Geral do Estado, o policial militar tem sido tratado com rigor e não existe um atendimento psicológico especializado para tratamento de doenças sérias como o alcoolismo e a drogadição.
''Hoje a PM trata os alcóolatras e dependentes químicos com a pena de exclusão. É um sistema extremamente rigoroso. Em vez de recuperação e de tratamento, os policiais são penitenciados. Mas o alcoolismo é uma doença'', reclamou Isabel. Ontem ainda, elas entregaram um pedido formal ao governador Roberto Requião (PMDB) pedindo que as decisões de exclusão sejam revistas. As mulheres não têm um balanço de quantos policiais são excluídos por ano por conta deste tipo de decisão consideradas por elas como arbitrárias.
Entretanto, dois casos concretos foram relatados. Um envolvendo um soldado de Barracão (90 km a oeste de Francisco Beltrão) e outro envolvendo um soldado de União da Vitória. ''Tentamos negociar com este comando, mas não tem como. Este comando da PM é nota zero'', reclamou Isabel. Mari Kochack, também integrante do Movimento de Mulheres, disse que deveria ser aberta uma Clínica de Recuperação para os doentes.
O comandante da PM do Paraná, coronel David Pancotti, disse ontem que existe um projeto que está em estudo na Secretaria de Estado de Planejamento e que prevê o investimento de R$ 4 milhões no Primeiro Centro de Recuperação Terapêutica de Policiais Militares. O centro seria construído ao lado do Hospital da Polícia Militar (HPM). ''Injustiças eu não cometo. O meu comando foi o que mais denunciou policiais militares corruptos e os puniu com exclusão. Quando há exclusão de dependente de drogas ou alcoolismo é porque tentamos todas as alternativas. Demos suporte no setor de sa© úde psicológica. Mas não conseguimos resolver sempre todos os problemas.''
No caso de policiais militares já excluídos, o coronel Pancotti salientou que não tem como reverter a exclusão determinada por um Conselho de Ética. ''Se saiu da alçada do comando da PM, só quem pode reverter é o governador Roberto Requião'', salientou. Pancotti negou que tenha sido procurado pelas integrantes do movimento e disse que não tem idéia de quem são os policiais militares que foram excluídos supostamente por ter problemas com álcool ou drogas.


