Mulheres de PMs retomam protesto
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quinta-feira, 12 de setembro de 2002
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As mulheres de policiais militares fecharam ontem os principais batalhões da Polícia Militar (PM) e o quartel geral. Viaturas foram proibidas de circular pelas ruas. O local onde regularmente é feito o abastecimento dos veículos ficou fechado durante todo o dia. Cerca de 80 carros tiveram os pneus esvaziados. O rádio de comunicação interna da PM funcionou precariamente. Todos os policiais militares da área administrativa foram dispensados.
De acordo com Lúcia Sobral, uma das líderes do movimento, as mulheres estão revoltadas com o descaso do governo do Estado e com a proposta salarial apresentada no início desta semana. O governo apresentou uma proposta de aumento de salário de 24% e de gratificação especial de 130%. No entanto, o reajuste será feito em três parcelas. A primeira seria paga em janeiro de 2003. As demais, em janeiro de 2004 e 2005. ''Isso não é uma proposta. É uma imposição do governo do Estado'', reclamou.
Até o início da noite de ontem, as mulheres não tinham prazo para deixarem o quartel central e os demais batalhões ocupados. Elas prometiam que só interromperiam o movimento se o governo acenasse com uma nova negociação. ''A situação pode se complicar sem o policiamento ostensivo. Espero que o governo resolva em breve esta situação, que não agrada ninguém'', disse Lucia.
O coronel Gilberto Foltran, comandante da PM, tentou evitar o movimento. Ele disse que o governo do Estado fez tudo o que podia para auxiliar os policiais militares. ''Esta é a melhor proposta que o governo poderia nos dar'', avaliou.
Com a proposta do governo do Estado, um soldado de primeira classe com 22 anos de polícia e que atualmente ganha R$ 897,87 passará a receber, ao fim dos três anos, R$ 1.170,71. ''Somos a favor do reajuste proposto. Mas num ano só. O governador poderia nos dar este mesmo reajuste em seis parcelas ao longo do ano que vem'', argumentou a líder.


