A proposta apresentada pelo governo ao movimento das mulheres dos policiais militares não dissipou a manifestação, que já dura cinco dias. As mulheres continuam acampadas nos principais quartéis da Capital e ganham reforço hoje, com a chegada de manifestantes do Interior. Elas anunciaram que vão aguardar até amanhã nova avaliação do governo para as reivindicações do movimento, caso contrário, ameaçam impedir que os policiais saiam às ruas, além de deflagrar geve de fome.
Ontem, o clima do movimento começou a ficar tenso. As mulheres acampadas em frente ao 17º Batalhão da PM, confiscaram uma viatura que tentava entrar no local. O batalhão de choque foi acionado, mas até o fechamento dessa edição, o movimento estava pacífico. As cerca de 15 mulheres que estavam acampadas em frente ao 17º BPM, estavam apreensivas com a decisão da PM de acionar o batalhão de choque. ‘‘Estamos com medo, mas vamos continuar aqui, até o governo se manifestar’’, avisou a mulher de um PM que preferiu não se identificar.
O movimento ganhou reforço de Londrina, Paranaguá, Rio Negro e Cascavel. As mulheres disseram que estão ainda mais unidas contra as propostas iniciais do governo do Estado que – de acordo com elas – beneficiam apenas um grupo de policiais. As mulheres calculam que apenas um terço do efetivo de praças seria contemplado com gratificação de R$ 100,00 para horas-extras e com a gratificação especial para os lotados no Batalhão de Polícia de Guarda dos Presídios. Atualmente, 552 policiais militares recebem a gratificação por determinação judicial.
Viviane Grein, mulher de PM, exibiu ontem um documento que teria sido encaminhado para a Associação dos Militares da Ativa, Inativos e Pensionistas e que teria como intuito a intimidação dos policiais. O documento pedia interferência da associação na manifestação e solicitava a assinatura dos policiais descontentes com o movimento. ‘‘Isso é uma forma de pressão dentro dos quartéis. É o modo que o governo encontrou para nos pressionar’’.
O coronel Elizeu Furquim, presidente da associação, disse ontem que a entidade não irá se posicionar contra a luta das mulheres de PMs. O coronel concordou com o pleito e disse que a proposta do Estado não apresenta benefícios. ‘‘O que elas querem é paridade de salários. Essa proposta vai criar dois núcleos de pessoas beneficiadas em circunstâncias minoritárias. O problema continuará existindo e estará agravado’’, avaliou.
Ontem, o secretário de Segurança Pública José Tavares foi categórigo ao afirmar que o governo está fazendo o ‘‘que está ao alcance’’ para tentar pôr fim ao protesto. Tavares classificou o movimento como ‘‘sem representatividade’’ e disse que o movimento não tem liderança nem legitimidade.

mockup