Mulheres de policiais militares prometem fazer manifestações hoje em frente aos batalhões de cinco cidades paranaenses: Londrina, Maringá, Apucarana, Guarapuava e Paranavaí. Em Londrina, a intenção é montar acampamento a partir das 6 horas, para impedir que os policiais saiam do quartel com as viaturas ‘‘Este é o nosso último recurso, a última esperança de conseguir de volta a gratificação salarial’’, explica Vera Lúcia, integrante da Associação das Mulheres de Policiais em Londrina. O movimento está sendo planejado há quase um mês pelas associações das cinco cidades, como forma de pressionar o governo do Estado a pagar o benefício. O pagamento não é feito desde 1996.
Segundo Vera Lúcia, sem a gratificação os salários dos praças (soldados, cabos, sargentos, tenentes) estão cada vez mais defasados. ‘‘No caso do terceiro sargento, o benefício representa uma diferença de R$ 500,00. Sem ele, um policial com mais de 20 anos de carreira ganha pouco mais de R$ 700,00, enquanto o salário inicial é de R$ 635,00’’, afirma.
A violência praticada por policiais militares, segundo Vera Lúcia, é produto da insatisfação. ‘‘O policial está humilhado. Ele é desvalorizado quando coloca em risco o seu bem mais precioso: a sua vida’’, diz. ‘‘A vida humana deveria valer mais’’. Apesar de afirmar que a atual situação vivida pelos PMs está se refletindo no atendimento à população, Vera Lúcia salienta que a associação das esposas não concorda com esta prática. ‘‘Não justifica baixo salário com violência, mas hoje não sabemos se quem está sofrendo mais é a população ou os policiais’’, afirma.
As conversas com o governo do Estado não trouxeram nenhuma expectativa positiva para os PMs. Pela Constituição os PMs são impedidos de fazer greve, por isso a associação das esposas resolveu assumir a ação. Segundo a relações públicas da entidade, Maria da Conceição dos Santos, o ato é uma espécie de greve forçada. Até que o governo decida voltar a pagar a gratificação salarial, as mulheres e familiares dos PMs pretendem ficar acampados em frente aos quartéis, onde farão comida e lavarão as fardas dos maridos.
A associação das esposas aguarda uma ação estratégica do comando para esvaziar o movimento, principalmente no primeiro dia. ‘‘Já agenderam uma palestra para hoje. Mas vai ficar complicado para o comando tentar encontrar formas de esvaziar nossa ação todos os dias em que estivermos acampados’’, afirma.
O comando do 5º Batalhão de Londrina realiza hoje às 9 horas, no auditório do Com-Tour, uma palestra sobre motivação profissional. O comandante do 5º BPM, tenente-coronel Robenson Máximo Fim, nega que se trate de uma estratégia para esvaziar a ação das mulheres dos policiais. ‘‘Eu considero o movimento delas legítimo, desde que não fira a instituição’’, afirma o comandante.

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