Uma comitiva de mulheres de policiais militares do Norte do Estado esteve na Folha para reclamar da transferência dos maridos, que desde setembro do ano passado foram participar de um concurso interno para sargento, em Curitiba, e foram escalados para prestar serviços na Capital, sem terem perspectivas de quando poderão voltar para as localidades de origem. O grupo estima que pelo menos 140 policiais da região estão vivendo o mesmo drama. O comando geral da PM garante que todos foram avisados antes do concurso que as 300 vagas abertas seriam para a capital.
‘‘Só fomos comunicados que iríamos assinar um documento para sermos efetivados em Curitiba 15 dias depois que fizemos a inscrição. Mas até agora não assinamos nada a não ser a ficha de inscrição’’, afirmou um dos sargentos efetivados. Ele e outros PMs acompanharam o grupo de mulheres. Um dos concursados disse que o edital interno que anunciava o concurso dizia que existiam 240 vagas distribuídas no Estado. ‘‘A nova turma de candidatos assinou na semana passada este termo de servirem em Curitiba, mas nós ainda não’’, disse.
A maior reclamação, porém,
é das mulheres que se dizem abaladas com a transferência de seus maridos. Elas queixam-se também de dificuldades financeiras, com as despesas dos maridos em Curitiba. ‘‘Minha filha está doente por causa do pai. Não come e não dorme direito. Tive que apelar para um psicólogo’’, contou uma das mulheres. ‘‘As crianças estão matriculadas na escola, a maioria de nós temos casas financiadas e é impossível pagar a prestação aqui e um aluguel em Curitiba’’, acrescentou outra.
O comandante geral interino da PM, coronel Valdemar Kretschemer, garantiu que os candidatos foram informados sobre a existência de vagas para terceiro sargento apenas em Curitiba.
Segundo ele, o termo de compromisso foi elaborado justamente porque o comando geral tinha certeza dos pedidos políticos e pessoais para retorno dos candidatos. Segundo o comandante interino, somente neste mês chegaram dezenas destes pedidos. ‘‘Entendemos perfeitamente a situação das famílias e sabemos que é melhor para o soldado ficar onde tem raízes. Mas, no momento, a capital está em defasagem de efetivos’’, ressaltou Kretschemer.
O coronel disse ainda que todas as questões pessoais serão avaliadas para uma futura remoção, a partir do próximo concurso. ‘‘Todas as inconveniências deveriam ter sido pesadas antes do concurso. Temos que preservar o interesse da população e no momento Curitiba está precisando’’, acrescentou.

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