Curitiba - Oito mulheres de policiais militares iniciaram ontem um movimento em frente ao 13º Batalhão da PM, no bairro Novo Mundo, na periferia de Curitiba. Elas fecharam o portão principal do quartel com cadeados e impediram a saída de viaturas. Os policiais militares tentaram burlar o manifesto, abrindo buracos nas cercas da lateral e dos fundos. As mulheres conseguiram fechar os buracos antes da saída de viaturas e carros descaracterizados. Um dos policiais militares que estava no quartel tentou sair de carro pelo buraco dos fundos, mas não conseguiu. Ele quase atropelou uma das mulheres que participava da manifestação.
As mulheres só deixaram entrar e sair livremente as viaturas do Sistema Integrado de Atendimento à Traumas e Emergências (Siate) e do Corpo de Bombeiros. No início da noite de ontem, as mulheres se deslocaram para o quartel central da Polícia Miltar, para evitar a saída de viaturas do Centro de Suprimento e Manutenção do local. Elas prometem continuar fazendo protestos até que o governo do Estado desengavete o estudo enviado pelo comando da Polícia Militar para a Secretaria de Estado da Administração e Previdência com os valores que teriam que ser desembolsados para que houvesse uma equiparação salarial dentro da corporação. Atualmente, por causa de decisões judiciais, existem cabos que ganha mais do que sargentos.
O descontentamento no setor aumentou com a aprovação na Assembléia Legislativa de um projeto de lei que estendia a gratificação do Tempo Integral por Tempo de Serviço (Tide), que alguns policiais civis garantiram na Justiça, para todos os integrantes da instituição. ''Se você tem dois filhos, não pode dar um benefício para um e deixar o outro sem nada. Esperamos que o governador entenda e dê para a categoria o mesmo direito que deu para a Polícia Civil'', afirmou Lucia Sobral, uma das líderes do movimento.
A intenção é conseguir o apoio gradativo de outras mulheres de PM. Hoje, elas planejam fechar outro quartel. A unidade não será divulgada com antecedência para evitar represálias. O tenente-coronel José Paulo Betes, comandante do 13º BPM, não quis falar com a imprensa. O coronel Gilberto Foltran, comandante da PM do Paraná, lamentou a manifestação. Ele considerou o momento desapropriado. ''Já estamos negociando com o governo do Estado'', disse ele.
Foltran afirmou que a PM não tomará qualquer providência para evitar o manifesto. ''Vamos ver até onde elas vão com este movimento. Se elas fecharem um quartel, atuaremos mais intensamente com outro'', declarou. A PM já está fazendo planejamentos emergenciais em casos de necessidade. No ano passado, um movimento semelhante fechou vários batalhões em todo o Estado.

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