Curitiba - Representantes do movimento das mulheres de policiais militares de Londrina, Curitiba e outras cidades paranaenses prestaram uma homenagem ontem a Zelinda Serapion, 45 anos, que morreu dentro do pelotão militar de Ibiporã, na Região Metropolitana de Londrina. Casada com um soldado aposentado da PM, ela cometeu suicídio no final da tarde de anteontem.
Zelinda teria entrado na unidade e pedido água para três soldados que prestavam atendimento no local. Um deles foi acompanhá-la até a cozinha e, ao abaixar para pegar água, Zelinda teria tomado a arma do seu cinto e disparado um tiro na cabeça. De acordo com informações repassadas pelo Movimento de Esposas de Policiais Militares, a vítima passava dificuldades financeiras.
Ela e o marido somavam um salário líquido de R$ 816,00. O casal teria uma filha com problemas de saúde e gastavam com medicamentos caros. ''Nos últimos dois meses estávamos sem contato com ela, porque o casal não conseguiu pagar a conta de telefone'', afirmou Izabel Neves, uma das líderes do movimento em Curitiba. Zelinda era respeitada no Norte do Paraná e participou de vários protestos de mulheres por melhorias salariais para policiais militares em Curitiba e Londrina.
O delegado Antonio Zuba de Oliva, que está investigando o caso, disse ontem que tudo leva a crer que Zelinda realmente cometeu suicídio. De qualquer forma, pediu exame de parafina na mão da vítima e do soldado da PM que estava com ela na cozinha quando o disparo ocorreu. ''Vai depender do exame o resultado do inquérito. Mas não coloco a versão do soldado em questionamento'', argumentou.
O coronel Gilberto Foltran, comandante da PM do Paraná, lamentou o episódio. Ele disse que ''trata-se de um fato inusitado''. Mesmo assim, determinou a instauração de inquérito policial militar para apurar responsabilidades pelo fato. ''O fato ocorreu dentro de uma repartição militar. Se houve negligência, temos que investigar'', salientou.
O corpo de Zelinda foi enterrado por volta das 17 horas de ontem, no Cemitério de Ibiporã.

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