Mulheres de militares mantêm vigília
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sábado, 21 de julho de 2001
Rosane Henn De Curitiba 
As mulheres de policiais militares acampadas há uma semana em frente ao quartel central em Curitiba mantiveram a vigília ontem e receberam a adesão de caravanas do interior. À tarde elas decidiriam os próximos passos do movimento, mas até o fechamento da edição, a reunião não havia terminado. Elas não descartam o fechamento dos quartéis e a ocupação do prédio da Secretaria de Segurança.
Um novo incidente contribuiu para acirrar os ânimos entre manifestantes e Polícia Militar. Na madrugada de sábado, a central de telefonia instalada em frente ao quartel central da PM foi violada e os cabos telefônicos cortados.
De acordo com o técnico da Iecsa-GTA (empresa que presta serviços à Telepar), José Augusto dos Santos, que trabalhava no local, cerca de mil linhas telefônicas foram cortadas. Moradores do bairro Rebouças ficaram com seus telefones mudos durante o dia. Algumas linhas do quartel foram atingidas.
Maria Helena dos Santos, uma das líderes do protesto, disse ontem que o ato de vandalismo foi praticado por agentes infiltrados da polícia secreta, a P-2, para prejudicar a imagem do movimento. Ontem à noite tinha um grande número de pessoas aqui em frente do quartel. Com certeza alguém aproveitou a ocasião para fazer isso só para nos jogar contra a população, disse.
O sargento Moisés José Duarte, da Comunicação Social da Polícia Militar, nega que a Polícia Militar atribua o ato de vandalismo às mulheres. Ele contou que a central telefônica é vigiada 24 horas por dia pelo setor de Inteligência da PM, e que na madrugada duas pessoas teriam sido vistas próximas à caixa. A PM não tem idéia de quem pode ter feito isso, mas vai investigar a partir de segunda-feira, comentou.
As manifestantes querem que o governo do Estado apresente uma solução para o problema salarial dos militares (de soldado a sub-tenente). Desde o governo Alvaro Dias, foi cortada a Gratificação PM Especial dos praças. Mas 552 deles conseguiram o direito de receber o benefício na Justiça. As mulheres querem que o Estado conceda a gratificação para toda a tropa.
Na semana passada o governo apresentou um plano emergencial com a promessa de pagamento de R$ 100,00 para horas extras e gratificação especial para os policiais do Batalhão de Polícia de Guarda dos Presídios (BPGD). Na sexta-feira, o governador Jaime Lerner (PFL) disse que o governo chegou onde podia e não tem como criar recursos de uma hora para outra.


