Imagem ilustrativa da imagem Mulheres de luta
| Foto: Pedro Marconi



Apesar do avanço da sociedade em diversos campos, como o científico, tecnológico, industrial e educacional, o aspecto social ainda tem muito a evoluir, principalmente quando está relacionado à mulher. Em pleno século 21, muitas mulheres precisam superar preconceitos, atitudes e falas machistas e, literalmente, lutar contra a violência. Pensando nisso, foi ministrado recentemente curso de defesa pessoal somente para mulheres. Cerca de 80 participaram da aula, organizada pela FEL (Fundação de Esportes de Londrina), no ginásio Moringão. Durante uma noite, elas receberam instruções sobre como se comportar diante de agressões com o uso de arma de fogo, facas, socos e golpes. "Ser mulher é maravilhoso e por isso é importante se aperfeiçoar na técnica para também se defender", resume Roseli Fernandes, que aos 54 anos participou pela segunda vez de curso com esta temática.

A profissional de técnica em segurança de trabalho Luciana Bordignon procurou a formação como forma de prevenção. Assustada com a escalada de casos graves de violência contra a mulher no País, ela afirmou que é preciso estar preparada para tudo. "É para proteção minha e da família. Todas as vezes que vejo registros de violação contra a mulher me chama muito atenção e analiso toda a situação para ter mais esclarecimento e prevenir", relatou. "Espero nunca precisar usar as técnicas de defesa pessoal, mas se necessitar estarei pronta", avisou.

Nina Amorim já passou por situações de assédio dentro do ônibus do transporte coletivo e nas ruas em Londrina. A design de sobrancelhas ficou sabendo do curso pelas redes sociais e decidiu que era hora de aprender a se defender de outras maneiras e com mais entendimento. "É para ter noção que posso me defender em situação de emergência. A mulher conseguiu ganhar seu espaço e diminuir várias desigualdades. Não podemos parar", sugeriu.

RESPEITO
A corretora de imóveis Jacqueline Rocha Rodrigues também viveu momento de constrangimento dentro do transporte coletivo. Para ela, ainda falta respeito diante das mulheres, o que só será alcançado quando todos se mobilizarem em prol da igualdade entre os sexos. "Chegamos num ponto de violência muito grave e isso mostra que ser mulher na sociedade que temos é muito difícil. Se soubesse esses golpes quando fui assediada no ônibus muito provavelmente não teria acontecido."

O curso reuniu mulheres de diversas faixas etárias e econômicas. Juntas, assimilaram tudo que foi repassado pelo professores e provaram, mais uma vez, que não existe sexo frágil ou ações que somente homens podem executar. "Para uma primeira aula fui bem e consegui fazer tudo que foi proposto. Os maiores desafios foram cair no chão e chutar. Acho essencial as mulheres terem este tipo de capacitação, não somente para estarem preparadas em casa, mas também nas ruas. Podemos fazer o que quisermos", sentenciou.

CONTINUIDADE
Segundo o assessor de Esportes e Eventos da FEL, Sandro Henrique dos Santos, a ideia de promover evento exclusivo para mulheres surgiu em decorrência das muitas notícias de violência que vêm ganhando repercussão na mídia. "Em 2018 nós fizemos o curso de defesa pessoal, mas foi mesclado. Com esses casos que estão sendo registrados entendemos que a técnica de defesa para a mulher pode salvar a sua vida. O ocorrido com a paisagista espancada no Rio de Janeiro é um exemplo", comparou. Elaine Caparroz, a carioca que foi agredida dentro do apartamento, no Rio, usou técnicas de defesa pessoal contra seu agressor para evitar que fosse estrangulada.

As participantes aprenderam técnicas básicas de ataque e bloqueio, para que consigam se manter em segurança em situações de vulnerabilidade e agressões que podem acontecer no dia a dia, como assaltos, tentativas de agarramento. A aula foi, inclusive, adaptada a situações que possam suceder com a mulher de salto alto ou saia. "Simulamos para que elas escapem da agressão independentemente de como estejam. É importante que elas deem prosseguimento com realização de atividades físicas, já que muitas estão sedentárias e, por isso, têm menos força, resistência e velocidade. Uma academia de arte marcial pode ajudar nisso", explicou Josué Lima, que é faixa preta 5º dan de taekwondo, instrutor de defesa pessoal e coordenador de Artes Marciais da Federação Paranaense de Taekwondo.

NOVA TURMA

Devido à grande procura, a FEL abriu inscrições para uma nova turma de curso de defesa pessoal para mulheres. A aula está marcada para 28 de março, das 19h30 às 21h30, no Moringão. Para efetivar a matrícula é necessário ir pessoalmente ao ginásio (rua Gomes Carneiro, 315) . No curso da semana passada vários professores de artes marciais ajudaram a repassar as técnicas, o que deve se repetir nesta segunda experiência.

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