Óleo de cozinha usado, fubá, cinzas, álcool, anil e até abacates. Com um pouco de paciência e braços fortes para mexer a massa, os ingredientes viram sabão nas mãos das mulheres de um assentamento anexo ao Conjunto José Belinati (Zona Norte). A técnica é praticamente a mesma do tempo das avós e, além de ser uma boa economia na lista de compras, pode virar opção de renda para as mulheres do bairro que participaram ontem de uma oficina de fabricação de sabão caseiro com apoio do Festival Internacional de Londrina (Filo).
Para trocar as receitas, a oficina foi improvisada na área de uma das casas do bairro. O espaço pequeno não foi suficiente para abrigar todas as mulheres interessadas, cerca de 20. Sem professora, são elas mesmas que passam para frente as receitas e os truques que aprenderam com as mães ou com a vida.
Caso da dona Juraci da Silva, 63 anos. Na casa dela não entra sabão industrializado, só de fubá (veja receita). Com um quilo do produto, sebo oriundo de restos de óleo de cozinha e soda caústica dá para fazer 30 pedaços caprichados de sabão. O custo, de aproximadamente R$ 6, mal cobre 10 pedaços do produto industrializado.
''É mais barato e limpa bem, se a pessoa não for meio preguiçosa para fazer o sabão'', garante dona Juraci. Segundo a moradora, cada fornada do sabão dá para mais de um mês de uso. ''Nesse tempo dá para juntar mais óleo'', diz.
A tradição de parte das mulheres do assentamento é a semente de uma espécie de cooperativa do sabão. ''Se der para vender seria uma boa, porque todo mundo sabe fazer. O problema é que tem gente que não gosta do feito em casa'', argumenta Eliete Ferreira, 29 anos, dona da casa onde a oficina foi realizada. Ela também é praticante da economia do sabão caseiro.
Outra moradora, Rosângela Ferreira, 30 anos, está mais animada e já pensa na logística de produção em massa para contornar o problema da matéria-prima, o sebo. ''Dá para pedir retalho em açouque que eles dão, tem também o pessoal que frita pastel e tem que jogar o óleo fora. Dá para fazer'', conjectura.
Por enquanto, o projeto está apenas em fase de estudo, mas já teve moradora do assentamento que se sustentou vendendo sabão de fubá e de álcool. ''Uma vizinha nossa fazia e saía vender'', confirma dona Juraci.
Receitas para o produto, por enquanto, é o que não falta. Segundo as mulheres, é possível até copiar as marcas mais vendidas, e caras, com perfeição. ''É só colocar anil e desinfetante que fica igualzinho'', garante dona Juraci.

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