Segundo o presidente da Famol, Joel Corrêa, 60% das associações de bairro em Londrina são comandadas por mulheres. ''Elas reivindicam mais, agregam mais valor ao trabalho de presidente de bairro'', opinou.
A comerciária Monica Aparecida Cardoso é um exemplo prático desta estatística. Ela preside a Associação dos Moradores do Parque Industrial Maria Estela há mais de quatro anos. Mesmo com o mandato vencido desde 2002, ela continua representando os moradores da Zona Norte.
''Ninguém quer assumir no meu lugar, mas eu prefiro ficar no cargo'', disse a comerciária, que já participou de congressos em Brasília e Goiânia. ''Apesar que hoje meu trabalho está estacionado. Reclamo na prefeitura, mas não tenho retorno'', lamentou.
Dias atrás, um microônibus que levava trabalhadores do bairro ao Centro da cidade atolou na estrada de terra que dá acesso ao Maria Estela e precisou ser desencalhado com a ajuda de um trator. ''Temos o protocolo do pedido de colocação de moledo, mas até agora nada'', assinalou a dona-de-casa Ana Cristina Batista de Oliveira, que mora no bairro há sete anos.
Segundo ela, as vans que transportam as crianças para as escolas também utilizam a via constantemente. ''Todo dia tem criança indo para cima e para baixo nessa estrada, que é bastante movimentada porque vai para Cambé. A gente entrega os filhos na mão de Deus, porque não sabe se eles vão voltar vivos.''
''Há uns seis meses eles trouxeram o moledo, mas não espalharam, deixaram amontoado no início da estrada'', completou Monica. Segundo ela, apesar dos problemas atuais, a população do loteamento é bastante unida. ''A gente faz reunião de bairro direto'', disse a presidente, ressaltando que nos 15 anos em que existe o loteamento, a associação de moradores já conseguiu, ''mesmo que a duras penas'', iluminação, coleta de lixo, linha de ônibus e o moledo na vila. (M.G.)

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