Curitiba Familiares e amigos das 22 mulheres assassinadas em Almirante Tamandaré e Rio Brannco do Sul (ambos na Região Metropolitana de Curitiba) protestaram ontem pela manhã, em frente à delegacia de polícia de Almirante Tamandaré, contra a impunidade e lentidão na solução dos casos. Faixas de protesto e fotos das mulheres foram expostas para demonstrar a indignição.
''Não temos nada a comemorar hoje (ontem, Dia Internacional da Mulher), apenas a lamentar as vidas de nossas mulheres desperdiçadas às custas de nada'', disse Jussara Alves, membro da Comissão do Movimento de Familiares e Amigos das Mulheres Assassinadas.
Segundo o vereador Luiz Piva (PT), também integrante do movimento, apenas o caso do assassinato da professora Teresinha Elisabeth Keep, em fevereiro de 2000, foi solucionado com a condenação do responsável. Outros 19 suspeitos estão presos. Segundo Piva, estes estão envolvidos com o tráfico de drogas na região. Mas, segundo ele, as prisões não foram suficientes. ''No caso da morte de Vanessa Ekert dos Santos, foram presos, como suspeitos, dois motoqueiros. Mas a população tem suspeitas mais sérias'', disse.
A tristeza da dona de casa Elvira da Silva Rosa é dupla. Ela perdeu a neta de 16 anos, e, quatro anos depois, a filha Maria Isabel da Rosa. ''Agora o medo é constante. Já recebi várias ameaças e temo que algo aconteça para a minha outra netinha, de 13 anos'', afirmou. A filha dela desapareceu no dia 23 de outubro de 1999 e seu corpo foi encontrado em um rio, dois dias depois.
A Polícia Civil de Almirante Tamandaré comunicou à imprensa que se solidariza com os familiares das vítimas, mas que não existe investigação 100% eficiente, embora façam o melhor possível. Segundo a polícia, estava agendada para ontem à tarde uma reunião com a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Ministério Público para discutir os crimes sem autoria certa.

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