Da palha, como que por milagre, nascem bolsas, cestas e artigos de decoração. O local escolhido para promover a transformação é um dos boxes da Associação dos Trabalhadores Artesanais de Londrina (Atal), onde acontece, desde anteontem, um projeto piloto de artesanato em palha de milho. Sob orientação da artesã e consultora do Serviço de Apoio à Pequena Empresa (Sebrae) Margaret Cunha, de Porto Alegre (RS), 17 mulheres estão aprendendo a aproveitar de maneira criativa um produto quase sempre descartado.
O objetivo é criar uma nova possibilidade de renda, dando às mulheres não só a oportunidade de aprender o trançado com a palha, mas também noções de comercialização. ''O artesão tem que saber atender o que o consumidor procura. Precisamos estar atentos às tendências, sem esquecer a praticidade'', ressalta Margaret. Ela explica que o curso ensina a técnica, mas cabe às artesãs imprimir seu toque pessoal, ''dar cara'' ao produto. ''No Rio Grande do Sul fizemos isso. Pegamos a técnica antiga, muito utilizada por italianos e alemães, e a utilizamos em peças modernas. Foi um resgate cultural.''
Segundo Margaret, o grupo está surpreendendo pela facilidade em aprender. ''O aproveitamento está sendo ótimo'', comemora a artesã. A primeira oficina, definida como treinamento técnico, termina hoje. Posteriormente serão realizadas outras, voltadas para a área gerencial.
''Segundo especialistas, o artesanato é um produto vendável, mas precisa ter qualidade. Queremos dar condições aos artesãos de vender suas criações e quem sabe, no futuro, exportar'', explica a consultora do Sebrae Vera Lucia Maria Carlos, lembrando que geralmente eles enfrentam muitas dificuldades para vender seus produtos. Posteriormente, será realizado também um projeto piloto com tecelagem.
Para as participantes, o curso abre novas perspectivas. ''Eu só sabia fazer tapete de barbante, que vendo para os conhecidos. Agora, se conseguir aperfeiçoar esta técnica da palha, vou poder ter outra fonte de renda'', anima-se a dona de casa Angela Maria de Jesus, de 40 anos.
Neuza Alves Ferreira, vice-presidente da Atal, também gostou da iniciativa. ''A cestaria com palha de milho é algo novo para mim. Estou confiante nesta parceria, principalmente porque nos dá apoio também na organização e comercialização.''

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