Mulheres aprendem a se defender
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quarta-feira, 24 de junho de 2009
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Rolândia - A princípio as técnicas parecem simples, mas na hora de colocá-las em prática, durante os exercícios em sala de aula, algumas mulheres ainda não se sentem confortáveis. Mesmo assim o desejo de aprender é mais forte, o que as motiva a sair de suas casas duas vezes por semana, à noite, para participar do curso de Defesa Pessoal para Mulheres, promovido pela Secretaria da Mulher e da Família de Rolândia (Norte). O órgão iniciou os trabalhos este ano e tem chamado a atenção do público feminino com a oferta de cursos diferentes, muitos deles propostos pela própria comunidade.
Preocupadas com a segurança, a auxiliar de enfermagem Darlene Alves da Silva, 47 anos, e sua filha, Isabela Alves Godinho, 15, resolveram se inscrever e acreditam que a atividade pode ser bastante útil no seu dia a dia. ''Acho importante porque hoje em dia, com a violência que a gente ouve falar, conseguimos nos sentir um pouco mais tranquilas. É comum eu ficar muito tempo em pontos de ônibus e sempre passa alguém suspeito por perto'', disse Darlene.
Cerca de 50 mulheres participam do curso, ministrado pela professora de karatê Vera Lúcia de Araújo. Segundo ela, a atividade pode ser praticada por mulheres de qualquer idade. Basta que elas estejam dispostas a aprender as técnicas, que exigem um pouco de atenção e disposição física, e que podem melhorar cada vez mais se a aluna se empenhar num bom alongamento e aquecimento.
''Ensinamos movimentos de ataque e defesa combinados e individuais, para que elas possam saber como agir numa situação em que precisarem se defender. Antes da demonstração dos golpes realizamos também exercícios de aquecimento, alongamento e outras atividades que elas podem depois desenvolver em suas casas'', disse Vera. A dica é estar sempre atenta. Nenhuma ação ousada demais é incentivada pela professora, principalmente em casos de assaltos. ''Elas devem evitar o ataque sempre que possível. Nas situações em que o outro estiver armado ou não existir a certeza da arma, o certo é erguer os braços e deixar levar'', enfatiza.
O grupo é bem heterogêneo e tem desde adolescentes até mulheres da terceira idade. A diarista Angela Pereira dos Santos, 34, se interessou pelo curso assim que ficou sabendo. ''Comecei a fazer karatê há uns três meses e acho que a defesa pessoal pode me ajudar em todos os sentidos. Ando muito pela cidade a pé, sozinha e, dependendo do caso, se alguém tentar me roubar eu posso imobilizar a pessoa e atacar'', comenta.
A secretária da Mulher e da Família, Sabine Giesen Roveri, disse que a ideia da maioria dos cursos partiu das mulheres, que sugeriram por meio de uma pesquisa realizada no início das atividades desta gestão. ''Mais de mil mulheres disseram quais áreas eram mais necessárias. Surgiram cursos de mecânica, de defesa pessoal, informática, na área da saúde, violência contra a mulher, entre outros'', explicou. ''Mesmo que seja um curso de apenas uma semana, a mulher já sai diferente de quando entrou, melhora inclusive a sua autoestima'', argumenta.
A cabeleireira Jutilaine Elisabete dos Santos, 42, participou do curso de Mecânica Defensiva e hoje se sente muito mais preparada para dirigir nas ruas sozinha e, se preciso, enfrentar algum problema mecânico. ''Antes eu não sabia nem verificar a falta de combustível ou óleo. Agora se precisar trocar pneu ou até mesmo saber solicitar ao mecânico uma peça que está com problemas eu sei'', comemora.


