Mulheres aplicam golpe do bilhete em Londrina
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segunda-feira, 21 de julho de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Tão difícil quanto ganhar na loteria é alguém ganhar o prêmio e tentar negociá-lo com um desconhecido na rua. Mesmo assim, o chamado ''golpe do bilhete premiado'' continua fazendo vítimas. Em Londrina, não é diferente e os últimos relatos passados à polícia indicam que uma dupla de esteliontárias estaria agindo no Jardim Ipiranga, área central.
O delegado do 4º Distrito Policial, Roberto Hummig, responsável pela região, apontou que uma mulher divorciada de 55 anos deu queixa no dia 16 de junho, após ter entregue R$ 20 mil a uma mulher que a abordou na esquina das ruas Borba Gato com Paes Leme. No álbum da polícia, a vítima reconheceu a golpista uma mulher de 31 anos que possui passagens por furto e estelionato. O delegado irá ingressar com pedido de prisão preventiva contra a suspeita.
Uma advogada de 57 anos que preferiu não se identificar também foi abordada por uma mulher na mesma região, no dia 17 deste mês, mas não caiu no golpe. Ela transitava a pé pela rua Borba Gato quando foi abordada por uma mulher que se apresentou como Maria José da Luz. Com roupas modestas e simples nos modos de falar e agir, a mulher ''procurava'' uma lotérica porque estava com um ''bilhete de loteria premiado'' no valor de R$ 10 mil, mas não tinha como sacar o prêmio porque não dispunha dos documentos pessoais.
Enquanto conversavam, segundo a advogada, uma outra mulher bem vestida, com fala articulada, usando óculos escuros e jóias se aproximou e se ''dispôs'' a ligar para a Caixa Econômica Federal. Ela ''confirmou'' que o bilhete seria premiado, mas o valor do prêmio já havia crescido para R$ 600 mil. Durante toda a conversa, a mulher incentivava a advogada a ''fechar'' a negociação.
A estelionatária queria que a advogada, com seus documentos pessoais, fosse até uma agência da Caixa para sacar o prêmio. Como garantia, a advogada teria que dar R$ 50 mil à estelionatária. As duas mulheres desistiram da farsa quando a possível vítima ofereceu-se para ir diretamente à Caixa com a golpista. A advogada acredita que as duas estelionatárias estejam agindo na região por ser uma área de grande fluxo de pessoas, muitas delas idosas. ''Descobri que outras pessoas já foram abordadas por essas mulheres'', comentou.
O delegado instruiu as pessoas a procurarem imediatamente a polícia assim que receber uma proposta como a da advogada. ''Quem desconfiar deve ligar imediatamente para a polícia'', pediu Hummig. A pena para estelionato varia de um a cinco anos de reclusão.
O superintendente de negócios da Caixa, Roberto Bachmann, explicou que o portador de um bilhete premiado deve se dirigir apenas a um gerente do banco, munido de cédula de identidade e Cadastro de Pessoa Física (CPF). Apenas prêmios de até R$ 800,00 são pagos ao portador do bilhete premiado, sem exigência de documentos pessoais. A superintendência da Caixa na região já pagou R$ 1,9 milhão em prêmios este ano.


