Aos 52 anos, a costureira Leide Aranda é toda alegria. Nem a metástase de um câncer de mama que a fez adoecer há seis anos, e que agora atingiu o fígado, tira sua vontade de viver. Para ganhar forças no combate à doença, ela participa dos encontros mensais do grupo das Mulheres Amigas do Peito, o qual reúne pacientes mastectomizadas na sede da secretaria da Mulher de Londrina.
Há quatro anos, Leide e outras 32 vítimas do câncer de mama se reúnem para fazer aulas de hidroginástica e alongamento e acompanhamento psicológico. Além da troca de experiências, elas produzem trabalhos manuais como forma de gerar renda para as pacientes mais carentes. Ontem, como parte da programação da Prefeitura para a comemoração do mês da mulher, o grupo se reuniu no auditório do Iate Clube para assistir uma palestra sobre reconstituição mamária. A maioria das participantes ainda não fez a cirurgia por medo ou falta de informação, conforme apontou a secretária da Mulher, Cida Ramalho.
Leide é uma das pacientes que optou por viver sem uma das mamas. ''Minha vida em família é normal. Se eu não te disser qual mama perdi, você nem vai saber. Não preciso identificar'', disse. Com o suporte do marido e dos filhos, ela decidiu não operar e passou a se apoiar no grupo para seguir o tratamento contra o câncer no fígado. ''É você quem decide o que deve ser feito. Se você se entregar, se mata'', ensina.
A dona de casa Ana Elisa Larsi, 74, descobriu um nódulo na mama direita aos 63 anos. Operou, fez radioterapia e hoje está curada. Mas a pedido do marido, também optou por não reconstruir a mama perdida para o câncer. ''Eu sofri tanto para tirar que não tinha necessidade de sofrer de novo'', contou.
Ana também faz parte das mulheres amigas do peito e adora participar das reuniões. ''A gente se encontra, conversa com quem precisa de informação, conta que a vida não mudou. Eu continuo indo à praia, à piscina.'' Como Leide, Ana sempre encarou a doença com pensamento positivo. ''Não sabia que ia perder toda a mama. Fui com a cara e com a coragem.''
Para ela, as pacientes ainda têm muito medo, principalmente pela falta de informação. Não foi o caso da diarista Aparecida da Costa Coelho, 41, que reconstituiu uma das mamas há três anos. ''Me sentia horrorosa, não me olhava mais no espelho.'' Com histórico de câncer da família, Aparecida acreditava que a doença não a atingiria, mas começou a sentir dores nas mamas e nos braços aos 33 anos.
''Fazia preventivo todo ano. Fiquei no chão quando descobri. Fiz a cirurgia, quimio, e hoje estou aí'', desabafou a diarista. ''A cirurgia me deu mais ânimo de viver, assim como participar do grupo. Ajudar quem está para baixo é muito bom. A gente aprende a se valorizar e a valorizar todo mundo ao redor.''
Segundo o cirurgião plástico Flávio Nazina, o número de pacientes com câncer de mama tem aumentado, principalmente nos centros urbanos, e a doença tem atingido mulheres cada vez mais jovens. ''A menstruação precoce e a gravidez tardia contribuem para o maior período de exposição da mama aos estímulos hormonais e ao câncer.''
Para ele, a prevenção é ideal não só para o diagnóstico precoce, mas também para um tratamento mais eficaz do câncer de mama. Conforme ele, a função da reconstituição mamária é proporcionar maior conforto às pacientes, que sofrem alterações de peso e na coluna, além de contribuir para a ressocialização da mulher e perda de alguns medos. ''É também o resultado da superação da doença.''

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