Mulheres agredidas terão casa abrigo
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2002
Érika PelegrinoReportagem Local 
Todos os meses, 50 novos casos de agressão contra a mulher são registrados no Centro de Atendimento à Mulher (CAM), em Londrina. Em 43% destes casos as vítimas necessitam sair de suas casas por correrem risco de vida. Para atender esta demanda, a secretária especial da Mulher, Lygia Pupatto, protocolou ontem na Câmara Municipal um projeto de lei para abertura de crédito adicional especial de até R$ 106 mil. O objetivo é a construção de uma Unidade Social de Apoio Casa Abrigo, através de convênio com o governo federal.
A Casa Abrigo irá acolher as mulheres e seus filhos menores de 14 anos de forma sigilosa até que tenham condições de reestruturar suas vidas. Atualmente as vítimas de violência doméstica sob ameaça de morte são encaminhadas pelos profissionais do CAM para instituições assistenciais ou casa de amigos e familiares.
A secretaria da Mulher apresentou o projeto de construção da Casa Abrigo em parceria com o Ministério da Justiça no ano passado, sendo aprovado em dezembro. A contrapartida da União, no valor de R$ 80 mil já está depositada em uma conta específica, segundo Lygia Pupatto. A contrapartida do Município deverá ser de R$ 25.349,35.
O início da obra depende apenas, segundo a secretária, da aprovação na Câmara Municipal da abertura do crédito adicional especial. O projeto de lei deverá ser votado nos próximos 10 dias. O terreno já está disponível e sua localização deve ser mantida em sigilo, já que a Casa Abrigo deve esconder as vítimas de seus agressores.
Dentre as formas de agressão praticada contra a mulher, 54% são de violência emocional e 40% de violência física. O CAM registra ainda, com menor incidência, casos de agressão sexual e social.
Desde sua criação em 1993, o CAM já atendeu mais de 5.500 mulheres. A Delegacia da Mulher foi criada em 1986 e até julho de 1998, registrou 19.788 boletins de ocorrência. Destes, 2004 casos resultaram em inquérito policial.


