Em uma sala no Centro de Pastoral da Paróquia dos Sagrados Corações, na Mato Grosso com a JK (Centro de Londrina), todas as semanas mais de 20 mulheres se reúnem. Chegam com agulhas e linhas nas mãos e um bocado de alto astral. Rezam, conversam e trabalham. Fazem do dom de costurar um serviço para muitas outras mulheres que a elas recorrerão para montar o enxoval do bebê que está para nascer, para vestir os filhos em idade escolar, dar vestimenta ao marido, aquecer toda a família nos dias frios.
Ali, a idade não importa, todas são meninas - nascidas há 16 ou há 90 anos -, que formam o time da Pastoral da Promoção Humana e Social. Já faz duas décadas que começaram a costurar para servir a quem não tem condições de comprar roupas. Pelo entusiasmo, continuarão por muitas outras décadas.
Nos armários, embaladas com cuidado e capricho já estão prontas as peças de inverno, que irão para o bazar mensal no tempo oportuno. Sobre as grandes mesas em que elas trabalham, roupas para bebês, sapatinhos, tudo feito de retalhos por mãos amorosas.
As meninas da Pastoral representam, nas páginas da FOLHA, a mulher em seu Dia Internacional. Sintetizam aquelas que estão na construção civil, nas boleias de ônibus e caminhões, nos tribunais, nos centros cirúrgicos, nos serviços gerais, na Presidência da República; sem deixar de lado a sensibilidade que lhes é natural para ajudar a quem precisa de atenção material ou afetiva.
''A maioria das mulheres que aqui estão trabalhou a vida toda para a família, agora trabalham para ajudar outras famílias. Quem já é membro convida uma amiga, uma vizinha, a filha, assim vamos crescendo'', explica Cibele Bonesi, coordenadora do grupo.
''Aqui nos tornamos melhores, crescemos a cada dia. Tiramos o melhor de dentro da gente, queremos nos superar para ajudar pessoas que nem roupas podem comprar. Não temos o desejo de ser melhores do que ninguém, mas de fazer o melhor que pudermos'', destaca Maria Tereza Castro, querendo explicar que o bem que se faz por ali se estende às próprias costureiras. Em 2010, mesmo passando por um tratamento contra um câncer, ela não deixou de comparecer à Pastoral. ''Muitas chegam aqui com problemas, com depressão, e acabam se curando'', completa Cibele.
Dentro da organização que é peculiar ao sexo feminino, elas contam que todas que frequentam os bazares por elas promovidos são cadastradas e quem procura os enxovais de bebê tem que apresentar o cartão do posto de saúde, comprovando a gravidez. Assim, faz-se justiça, não permitindo que ninguém tenha acesso às peças sem realmente necessitar. Um preço simbólico, a partir de R$ 0,50, é praticado. Assim, quem leva uma roupa dá valor ao produto. No último ano, sessenta mães montaram ali os enxovais de seus rebentos.
Sobre um dia para homenagear as mulheres, elas comentam que a data é justíssima. ''É um reconhecimento. Mãe e dona de casa nunca pode ficar doente. Reparamos nas histórias das mulheres que vêm buscar roupas conosco. Muitas vezes elas também buscam atenção, conselhos. Conversam sobre o marido desempregado, o filho dependente químico, carregam tudo nas costas'', enfatiza Giuliani Garboio.
História
Em 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos de Nova York fizeram uma greve reivindicando melhores condições de trabalho. Mais de 100 delas foram brutalmente assassinadas, queimadas, dentro da fábrica. Hoje, as costureiras da Pastoral também pedem, querem uma sociedade mais justa. Para isso, fazem o que lhes cabe.
Serviço - Os bazares da Pastoral da Promoção Humana e Social acontecem no salão da Paróquia dos Sagrados Corações na última terça-feira de cada mês.

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