Mulheres à frente da propriedade rural
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terça-feira, 08 de abril de 2014
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Londrina "Aquela mulher com acanhamento de viver não existe mais", afirma Eunice Aparecida Rodrigues, aos 49 anos. Ela morava no Distrito de Lerroville (zona sul de Londrina) e se mudou para a Fazenda Alto Alegre há mais de 30 anos. A propriedade fica próxima ao distrito e a adaptação foi tranquila, segundo ela. No começo, Eunice administrava a rotina da casa e passou a ajudar no cultivo de café, verduras e legumes.
A mesma exigência e organização foram levadas para a agricultura. "A mulher do campo é mais cuidadosa e quer qualidade nos produtos. A gente trabalha de sol a sol e quando chove também trabalha muito no plantio de mudas e em outros serviços. A mulher do campo é tão dedicada quanto a mulher da cidade. Só que as da cidade só se alimentam porque a gente produz lá no campo", lembrou Eunice, que ontem de manhã participou do 7º Encontro Regional de Mulheres Rurais, no o Parque de Exposições Ney Braga, como parte da programação da ExpoLondrina. Cerca de 500 produtoras lotaram o Recinto José Garcia Molina, onde foram relatados exemplos das mulheres do campo. Muitas delas também se transformaram em pequenas empresárias.
Eunice assumiu a profissão de agricultora e agora cobra mais responsabilidade do marido. "Eu dou bronca nele todo dia. Ele para o que está fazendo e vai fumar, depois para pra descansar. A gente perde muito tempo assim", justificou Eunice.
A dedicação também faz parte da rotina de Elizete da Silva Costa, de 40. A agricultora mora no Assentamento Pó de Serra, próximo a Lerroville. "Acordo às 7 horas e só paro depois das 22 horas. Um dia a gente colhe, no outro vende na Ceasa", explicou.
Elizete e o marido produzem mais de 6 mil caixas de abobrinha e 5 mil dúzias de repolho e couve-flor ao longo do ano. A agricultora contou que a mudança no comportamento das mulheres do campo fez com que elas se tornassem parceiras dos maridos na gestão dos negócios da família. "Elas se valorizaram, saíram das casas. O dia a dia é pesado, mas eu mesma não troco o campo por nada. Hoje tudo o que tem na cidade tem também no campo. Só que lá tem mais sossego, mais liberdade", resumiu.


