Mulher vai processar PM pela morte de filho
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sexta-feira, 30 de novembro de 2001
Maranúbia Barbosa<br>De Londrina 
A mãe do estudante Hugo César de Oliveira, 15 anos, morto com vários tiros por policiais militares na madrugada de sábado, no Jardim Leonor, zona oeste de Londrina, vai entrar na Justiça contra a Polícia Militar (PM). A cozinheira Ana Maria Silva de Oliveira, 43 anos, que mora no Jardim Nossa Senhora da Paz, região oeste, afirma que os vizinhos dela, que se prontificaram a contestar a versão da PM, estão sendo ameaçados para não depor. Ela acusa a polícia de execução e garante que o filho estava desarmado na hora do crime.
Segundo Ana Maria, o filho levou 11 tiros, sendo que alguns deles foram disparados por uma arma calibre 12. Ela diz que o estudante estava voltando da casa da namorada, por volta da 1h30, quando foi abordado pelos policiais. ''Eles (PMs) estavam numa rua escura e assim que viram meu filho acenderam os faróis e começaram a atirar'', conta. Ainda segundo Ana Maria, os vizinhos teriam presenciado o garoto pedindo para os policiais pararem de atirar. ''Quando eles viram que meu filho não caía, chamaram a Rone (Ronda Ostensiva de Natureza Especial), que derrubou ele com um tiro de 12'', acusa.
De acordo com a cozinheira, o adolescente foi baleado nas mãos enquanto tentava se defender. ''Ele pediu pelo amor de Deus para não morrer.'' Ana Maria afirma também que o filho não tinha tantas infrações, como declararam os policiais. ''Ele (Hugo) foi autuado duas vezes por furto, mas tinha se recuperado e estava estudando.'' O garoto frequentava o 1º ano do ensino médio no Colégio São José, no Jardim Leonor e, segundo a mãe, trabalhava em um clube recreativo no centro da cidade.
O comandante do 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Rubens Guimarães, informou que um inquérito foi instaurado anteontem para investigar a participação dos PMs. Ele não quis opiniar sobre o assunto, mas não vê indícios de execução. O nome do oficial que ficará responsável pelo inquérito, até ontem, ainda não havia sido definido. Segundo o comandante, todas as testemunhas que quiserem depor não serão impedidas.


