Marluce (nome fictício), 32 anos, de Londrina, sofreu violências física e emocional do marido por mais de 10 anos. ‘‘Ele bebia, me batia e xingava, usando palavras de baixo calão’’, conta. Segundo ela, a agressão acontecia desde o início do casamento. ‘‘Mas quando a gente é apaixonada, faz de conta que nada acontece ou imagina que o companheiro vai mudar. Na verdade, a gente não quer reconhecer que ninguém consegue transformar o outro’’.
Alguns anos depois, durante a primeira gravidez (ela tem dois filhos pequenos), acreditou que a situação ia melhorar. ‘‘Mas até durante a gravidez ele me agredia verbalmente’’, lembra. Ela explica que após a violência, o marido se arrependia, mas não deixava de colocar a culpa nela. ‘‘Ele dizia que era eu quem provocava.’’ Por várias vezes ela chegou a sair de casa, mas, depois de alguns dias, retornava.
Marluce diz que fica até difícil contar qual foi a situação mais grave que viveu. ‘‘Foram inúmeras’’, resume. ‘‘Teve uma vez que ele foi me buscar no trabalho e só porque saí mais tarde, veio me xingando de biscate no caminho’’. Das agressões físicas, ela se recorda dos olhos roxos e dos chutes que levava.
Em 95, passando em frente ao Centro de Atendimento à Mulher (CAM), resolveu entrar para procurar ajuda. ‘‘Mas fui só uma vez e não voltei mais’’, confessa. No ano passado, voltou ao CAM e desta vez não pensou em desistir. ‘‘Encontrei pessoas capacitadas que me ajudam, me dão sustentação para eu tomar as decisões que preciso’’, ressalta.
Separada do marido desde o final do ano passado, Marluce confessa que ainda não decidiu como ficará a sua situação. ‘‘Ele pede para eu voltar, mas eu só faço isso se ele amadurecer. E hoje sei que ele continua o mesmo’’, observa. ‘‘Agora não aceito mais humilhações ou constrangimentos’’, garante.

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