Mãos à obra. Esta é literalmente a experiência vivida pela diarista Nivanildi da Silva, 37 anos, e de outras 20 famílias carentes que estão envolvidas no Projeto Onde Moras, em Londrina. Através de mutirão eles se unem para desmanchar casas velhas e em troca recebem o material recolhido e uma ajuda de custo para construir sua casa própria. Um trabalho nada feminino, mas o sonho de se ter uma casa própria rompe qualquer preconceito.
‘‘Não importa o peso da marreta ao demolir as construções. O importante é saber que vamos ter nossa casa própria’’, disse Nivanildi, conhecida como ‘‘Negona’’. Ela tem três filhos e mora num barraco de lona no conjunto João Turquino, zona oeste. Entrou no projeto junto com o marido Vicente de Paula Esteves, 40 anos para conseguir uma casa para eles e outra para sua mãe, que mora sozinha. ‘‘Como ela é sozinha e não pode trabalhar, resolvi vim trabalhar como os homens para conseguir outra casa’’, explicou. Nesta fase, o projeto vai viabilizar 10 casas para os moradores do conjunto João Turquino.
Josoé de CarvalhoGrupo organizado em mutirão participa do projeto desde a demolição e recolhimento do material, até a edificação de novas moradiasCriado em dezembro de 1996, o projeto foi criado pelo engenheiro Maurício Tadeu Alves da Costa em parceria com a Igreja Católica para atender famílias carentes. Segundo Costa, a idéia surgiu quando ele trabalhava em uma construtora e teve que pagar para desmanchar uma casa. ‘‘Geralmente paga-se caro pela mão-de-obra e o material nem sempre é aproveitado como deveria. Então, idealizamos o projeto, que além de empregar temporariamente os chefes de família, lhes dá a oportunidade de se ter uma casa própria’’, disse Costa. O engenheiro informou ainda, que durante o tempo de trabalho, as famílias recebem cestas básicas e passes de transporte urbano.
O cadastramento das famílias necessitadas é feito através de visitas às favelas. ‘‘Fazemos uma avaliação dos mais necessitados e explicamos o projeto. Os que interessam assumem o compromisso e trabalham até a conclusão da última casa do grupo’’, explicou Costa. Geralmente, os grupos são de 10 famílias. Hoje, existem dois grupos em trabalho, um nas dependências do Colégio Marista, que ocupou o grupo para o desmanche de quatro casas e outro grupo desmanchando anexos do Hotel Sumatra.
Desde o início do projeto, 30 casas já foram construídas. Cada casa tem 44 metros quadrados, dois quartos, sala, cozinha e banheiro. O custo aproximado para a construção é de R$ 500,00. ‘‘Contamos é claro, com o apoio de empresários e da iniciativa privada. O grupo Votoran, por exemplo está fornecendo a argamassa, o que diminui o custo’’, acrescentou. O projeto conta ainda com auxílio de estagiários do curso de engenharia civil, que fazem trabalho voluntário. ‘‘Nada melhor do que iniciar a carreira num trabalho social’’, comentou o estudante do 5º ano de engenharia, Anderson Hirato, 24 anos.
O resultado do projeto já ganhou repercussão nacional. Em março deste ano, o Onde Moras foi segundo colocado do concurso do combate a fome e a miséria Hebert de Souza, onde concorreram 120 entidades de todo o País. O prêmio de R$ 5 mil já está sendo empregado na construção das casas. ‘‘O mais gratificante é ver claramente a mudança total na vida das pessoas que são beneficiadas’’, declarou o colaborador do projeto, o jornalista João Milanez.Josoé de CarvalhoSonhoNivanildi, a ‘‘Negona’’ (à esquerda), encara o trabalho com disposição: ‘‘O importante é que vou ter minha casa’’Depois da entrega de 35 casas, projeto é ampliado com construção de unidades na zona oeste de Londrina

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