A história de amizade e dedicação entre um animal de estimação e sua dona pode ter um final infeliz. A dona de casa Herta Kellerman, de 73 anos, afirma ter uma arara há 27 anos. A ave, capturada na região de Ponta Grossa, fugiu há 15 dias do viveiro onde ficava. Caiu no quintal de uma casa próxima, perto do Parque São Lourenço, em Curitiba, foi recapturada por terceiros e levada para o Passeio Público. Um processo em tramitação no Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama) definirá se a ave será ou não devolvida a Herta. ‘‘Eu, meus filhos e meus netos estamos muito tristes com essa situação e queremos a arara de volta’’, diz.
Herta garante que a ave, caçada por um cunhado porque estava perdida e com fome, foi cadastrada em 1997 no Ibama, como determinou o Instituto. ‘‘Eu guardei o registro com tanto cuidado que não consigo encontrá-lo.’’ Segundo a dona de casa, ela não consegue provar a posse da ave devido à uma falha do próprio Ibama, que deveria ter colocado uma argola de plástico na ave para identificá-la depois do cadastramento. ‘‘Eu farei tudo para ter a minha arara de volta.’’
Ela contou que foi três vezes ao Passeio Público para visitar a arara. ‘‘Ela me reconhece e faz festa quando me v꒒, diz. E conta que na última tentativa de visita não deixaram que visse a arara. ‘‘Eu não posso negar que ela está sendo muito bem tratada, mas já mandei fazer um viveiro maior na esperança de tê-la de volta.’’
Segundo a bióloga Soleane Francisco, do Setor de Fauna do Ibama, o destino da arara será decidido pelo Departamento jurídico do Instituto, depois da emissão de um parecer técnico. ‘‘A situação é complicada, porque a ave está sem identificação.’’ Diante da reclamação de Herta, sobre a não colocação de marcação na ave pelo Ibama, a biológa disse que cerca de 25 mil processos estão sendo analisados de acordo com a ordem numérica. ‘‘Não seria justo passar na frente processos mais recentes.’’

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