Após uma tentativa de adiamento pela defesa, teve início ontem, pouco antes das 10 horas, no Tribunal do Júri de Curitiba, o julgamento de Andréia de Freitas. A ré, de 29 anos, foi autuada em flagrante em 23 de agosto de 2005 acusada de assassinar a enteada Gabriela Moreira dos Santos, sete anos, com 98 golpes de faca. Andréia, na época grávida de oito meses, confessou a autoria do crime.
Antes do início do julgamento, o advogado de defesa Luiz Antonio Martins Barbosa Junior solicitou adiamento ao juiz da 1 Vara Criminal, Fernando Ferreira de Moraes. Ele alegou que uma das testemunhas, arrolada em substituição ao irmão da acusada, André de Freitas, não poderia participar da sessão porque tinha uma consulta médica às 10 horas e possivelmente seria submetida a uma cirurgia ontem. André de Freitas que, segundo a defesa não havia sido encontrado, apresentou-se no local logo em seguida. O advogado insistiu que a nova testemunha, uma mulher que morava no mesmo terreno onde Andréia vivia, seria imprescindível para a defesa. Depois de conversar com o juiz, a testemunha concordou em permanecer no local, mas acabou sendo dispensada pela defesa e pelo Ministério Público, bem como o irmão da ré.
Durante o julgamento, Andréia confirmou ter matado a enteada. Segundo a ré, a menina a havia ameaçado com uma faca. Andréia vivia com o pai de Gabriela há dois anos e três meses e a menina morava com o casal há um ano e meio, na Rua Simão Bolívar, no Hugo Lange. A acusada disse que a criança falava muito alto e isso a incomodava.
''Perdi a cabeça, comecei a ficar nervosa e a jogar as coisas'', contou a ré. Ela relatou que quando Gabriela já estava desacordada após lutar com a madrasta, jogou álcool no rosto da menina e tentou atear fogo. ''Tinha pouco álcool e o fogo não pegou'', disse. Além de esfaquear a enteada, Andréia jogou óleo em cima dela. Antes havia acendido a churrasqueira. ''Jamais eu ia querer matar uma criança, foi uma loucura que eu fiz'', declarou.
Depois do crime, cometido por volta das 7 horas, Andréia saiu, deixando as portas de casa abertas. A ré foi para a casa onde trabalhava como empregada doméstica e voltou somente no final da tarde, quando fingiu que não sabia como a menina havia sido morta.
A defesa solicitou exames de sanidade mental da ré. Questionada pelo promotor de Justiça Marcelo Balzer Correia se sabia da tese da defesa (de insanidade mental), Andréia afirmou positivamente e começou a chorar. O promotor ressaltou que entre as consequências disso estaria a perda da guarda da filha, hoje com um ano e nove meses, e perguntou à ré se ela era louca. ''Não'', respondeu Andréia. O advogado Barbosa Junior não confirmou qual seria a tese de defesa. A acusada é defendida por uma equipe do curso de direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC).
A previsão era que o julgamento terminasse na madrugada de hoje.

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