Assustada e ainda abalada com tudo que aconteceu, a mulher que vinha sendo pressionada pelo escrivão agora teme por sua vida, mesmo com o suspeito preso. Numa entrevista exclusiva à Folha, ela declarou: ''tenho muito medo, porque não sei o que pode acontecer. Acho que posso sofrer um atentado ou ser prejudicada no processo''.
Ela disse que recebia pelo menos três ligações diárias do escrivão desde o dia em que ele exigiu dinheiro para, supostamente, atrasar o andamento de um processo por estelionato no qual ela é ré. Segundo a vítima, o escrivão, em algumas ocasiões, teria usado até o telefone do 3º DP, onde trabalhava, para ameaçá-la.
Chorando muito, ela falou que tentou negociar com o escrivão porque não tinha a quantia exigida. ''Ele pediu dois mil e depois, como eu não conseguia o dinheiro, ofereci mais R$ 300,00 pela demora'', detalhou. Na tentativa de arrecadar o que estava sendo exigido, a vítima chegou a vender todos os seus móveis e foi morar na casa de amigos. Ela revelou que se tivesse conseguido o dinheiro não teria denunciado o policial e que chegou a pensar em fugir da cidade por causa da pressão que estava recebendo . ''Ele dizia que o tempo estava se esgotando e que estava sendo pressionado pelos promotores para entregar o inquérito.''
A vítima garantiu que não sabia que os policiais da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) estavam acompanhando o pagamento e que levou um gravador onde toda a conversa foi gravada. ''Ele colocou o dinheiro no bolso e me perguntou se eu não estava armando para ele'', detalhou. Por fim, depois de agradecer o atendimento da PIC, ela afirmou: ''só quero paz para responder o que tenho para responder à Justiça com tranquilidade. Vou até o fim e não vou fugir de Londrina, onde moro há 30 anos''.

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