Mulher presta depoimento ao Conselho
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
É grave o estado de saúde da menina de cinco anos que teve quase 30% do corpo queimado com álcool dentro de casa, na noite da última sexta-feira, na Zona Sul de Londrina. A criança, que só foi socorrida 14 horas depois da agressão, está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica do Hospital Universitário (HU). Principal suspeita do crime, a mãe da menina foi ouvida ontem de manhã, no Conselho Tutelar Sul, que está acompanhando o caso.
De acordo com a conselheira Ana Lúcia Walichek, a mulher continua negando o crime. Em depoimento, ela confirmou ter agredido o filho mais velho em 2005 (o menino, na época com apenas cinco anos, foi retirado da mãe e há mais de três anos está abrigado em uma instituição em Londrina), mas afirma que neste caso é inocente. ''Ela nega ter colocado fogo na filha'', afirma. Quanto à omissão de socorro, a mãe alegou que não tinha como socorrer a crinça e que resolveu esperar o marido voltar de uma viagem. O marido chegou acompanhado de um primo e ajudou a socorrer a menina. ''Ela foi encaminhada ao hospital no carro da própria mãe'', afirmou a conselheira. Ela vai ouvir o depoimento do marido.
A reportagem da FOLHA tentou falar pelo celular com a mulher, que se negou a dar informações e desligou o telefone. Numa segunda tentativa, o marido afirmou que já contratou um advogado e vai seguir suas orientações. Ele não quis comentar a suposta atitude da esposa, mas alegou que vai tentar solicitar a guarda das filhas: uma de três anos e um bebê de quatro meses, que estão com familiares - ele não é o pai biológico da menina agredida, mas registrou-a como filha.
A promotora da 1 Vara Criminal, Susana Feitosa de Lacerda, estava avaliando a documentação sobre o caso ontem pela manhã, encaminhada pela promotora da Vara da Infância e Juventude, Édina Maria de Paula. ''Vou ler a documentação e analisar cabimento de pedido de prisão da mãe'', informou. O pedido será encaminhado para a juíza da Vara Criminal, Zilda Romero, que terá prazo de 48 horas para decidir sobre a prisão da mãe.
Édina de Paula, que considera a agressão uma tentativa de homicídio, discordou da atitude do delegado de plantão, João Aquino, que não ouviu a mãe e não solicitou a prisão da mulher ainda no sábado, quando a criança foi socorrida. Susana Lacerda também considera que a prisão deveria ter sido solicitada pelo delegado.
A conselheira tutelar Marina Bárbara, que estava de plantão e atendeu a ocorrência, disse que ligou para o delegado. ''Queria que ele falasse com a mãe e, se fosse o caso, prendesse, mas ele não quis nem ouvir o depoimento dela. Disse que não tinha flagrante e que o testemunho das crianças não resolvia''.
O delegado João Aquino confirmou à reportagem que não ouviu a mãe porque a situação não era de flagrante. ''Esperei que ela me enviasse a documentação, o que não aconteceu. É um assunto delicado e que precisa de muita investigação.'' Ele também confirmou que o depoimento das crianças não seria suficiente para solicitar a prisão da mãe.


