James Alberti
De Curitiba
A diarista Sandra Regina da Silva, 25 anos, acusada de aplicar o ‘golpe do emprego’ contra moradores de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, foi detida ontem à força pela dona de casa Nilza Eliane Correia da Maia, 25 anos, que seria uma de suas vítimas. Nilza encontrou Sandra quando saia de um banco, no centro da cidade. Ao reconhecer a diarista, Nilza agarrou-a pelo braço e a levou para a delegacia da cidade.
A queixa contra Sandra havia sido feita no dia 26 do mês passado. Outras três vítimas foram à delegacia e reconheceram a diarista. Todas são moradoras da rua Celestino Escobar Fucriato, da Vila Idalina, no bairro Ouro Fino. Algemada ao encosto de uma poltrona, Sandra negou os crimes. ‘‘Eles estão inventando’’, afirmou ela, que reside no Conjunto Apolo, também em São José dos Pinhais. Depois, recusou-se a falar no assunto. ‘‘Só falo com o delegado.’’
Além de Nilza, a cozinheira Leonilza Souza Vieira, 33 anos, a empregada doméstica Elizete Correia da Silva, 35 anos, e o auxiliar de entrega Luiz Carlos Sidral, 37 anos, afirmam ter sido enganados pela diarista. Desempregados, os quatro dizem não ter pensado duas vezes quando Sandra ofereceu empregos em uma clínica especializada no cuidado de idosos ricos. Conforme Elizete, a diarista havia afirmado que o salário seria de R$ 30,00 por dia.
Antes de começar o trabalho, no entanto, os candidatos tinham que pagar R$ 60,00. O valor seria utilizado, conforme a doméstica, para a confecção de um uniforme necessário ao serviço. Só depois do pagamento, porém, eles descobriram que a clínica não existe e que tinham sido enganados.
Para dar credibilidade ao golpe, Sandra teria chegado às casas das vítimas procurando uma pessoa, de prenome Maria, que ficaria com o emprego. Por não encontrá-la, Sandra oferecia o trabalho a quem lhe havia dado a informação. ‘‘Ela levou o último dinheirinho que tínhamos‘‘, afirmou Elizete Correia.
No caso de Leonilza, o prejuízo foi dobrado. Ela disse ter emprestado os R$ 30,00 de um amigo para poder parar a diarista. ‘‘Pensamos que, com dois dias de trabalho, poderíamos pagar o empréstimo’’, disse. A irmã da cozinheira, Jandira Souza Vieira também caiu no golpe. Até o final da tarde de ontem, Sandra ainda não tinha sido interrogada, já que o delegado cuidava do assassinato do detento Valdecir Pereira (veja texto abaixo).Nilza Maia reconheceu a acusada na rua e não teve dúvidas em segurá-la e levá-la até a delegacia em São José dos Pinhais
Kraw PenasVem comigoA dona-de-casa Nilza Eliane Correia da Maia, de camiseta azul, à direita, reconheceu e prendeu Sandra Regina da Silva (no destaque)

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